Governador afirma que estado está “refém” de contrato federal
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quinta-feira (11) uma intervenção na Enel após mais um apagão provocado pela ventania que atingiu o estado. Ele classificou o desempenho da concessionária como “absolutamente insuficiente” e afirmou que o restabelecimento total “vai levar alguns dias”, diante da capacidade limitada das equipes em campo.
Tarcísio voltou a destacar que a gestão do contrato é responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e que o governo paulista não dispõe dos “instrumentos regulatórios” necessários para exigir melhorias. A medida é avaliada desde que área técnica do TCU recomendou estudos sobre riscos e impactos de uma possível intervenção.
“A gente oficia imediatamente, envia relatórios para a agência reguladora e comunica sobre a situação de todas as concessionárias. O maior tempo de restabelecimento, os maiores problemas são na área da Enel. […] A gente não pode ficar refém, como foi dito, não dá”, afirmou em evento de entrega de moradias populares em Carapicuíba.
O governador também rebateu críticas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que havia acusado o estado e a prefeitura de usar “linguajar populista” ao tratar da crise energética. “Não é. Quanto a essas pessoas que estão sem energia, que iam fazer política com elas, qual é a previsibilidade? […] Pode ter certeza que esse restabelecimento completo vai levar alguns dias, e a gente vai ver isso acontecer de novo”, disse.
Tarcísio vê a intervenção como alternativa mais rápida do que a caducidade do contrato. Ele argumenta que a rede metropolitana deveria ter “o contrato quebrado em dois”, o que facilitaria a fiscalização. A Enel atende 24 municípios, incluindo a capital, e teve sua tentativa de renovar antecipadamente o contrato barrada pela Justiça. A concessão termina em 2028.
O vendaval desta quarta-feira registrou rajadas de quase 100 km/h e deixou mais de 2 milhões de imóveis sem energia — mais de um quarto da base de clientes da empresa. Houve queda de árvores, engarrafamentos, cancelamento de voos, fechamento de espaços públicos e interrupção no abastecimento de água.
A Aneel e a Enel foram procuradas pela equipe deste site, mas ainda não responderam.
