Protestos da Geração Z expõem instabilidade política
A ex-chefe de Justiça do Nepal, Sushila Karki, toma posse nesta hoje (12) como líder do governo interino, após a renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli, pressionado por protestos intensos liderados pela Geração Z. A informação foi divulgada pelo portal Nepal News.
Segundo fontes da Presidência, a cerimônia de juramento será realizada às 20h45 (horário local), na residência oficial da chefe de Estado, em Sheetal Niwas.
Primeira mulher a comandar a Suprema Corte do Nepal, entre julho de 2016 e junho de 2017, Karki é reconhecida pela integridade e por decisões históricas, especialmente em casos de disputas eleitorais.
Karki possui formação em ciência política e direito. É advogada desde 1979 e passou a integrar a Suprema Corte em 2009. O movimento da Geração Z apoiou sua nomeação, destacando sua neutralidade e credibilidade.
Dissolução do parlamento provoca reações divergentes
A crise política que levou à renúncia de Oli também resultou na dissolução do Parlamento, uma das principais pautas dos manifestantes. No entanto, a medida provocou reações divergentes: setores da sociedade civil cobram respeito aos procedimentos legais, enquanto partidos políticos pedem soluções constitucionais.
Lideranças da Geração Z exigem a reformulação da Constituição, para que reflita, segundo eles, “a vontade do povo”.
Em resposta à escalada da crise, os presidentes da Câmara dos Representantes e da Assembleia Nacional divulgaram uma declaração conjunta nesta sexta-feira. No texto, lamentam “a perda de vidas e patrimônio durante os protestos da Geração Z ocorridos nesta data, Bhadra 23 e 24 de 2082”, expressando condolências às famílias de manifestantes e policiais mortos, e solidariedade aos feridos.
A nota condena os incêndios e atos de vandalismo registrados, especialmente em prédios públicos como o Parlamento Federal, a Secretaria do Parlamento em Singha Durbar, e demais instituições do governo. “Causaram danos irreparáveis ao país”, afirma o comunicado.
A declaração conjunta conclui afirmando que a Presidência busca uma saída constitucional, comprometida com a soberania, a integridade nacional e o Estado de Direito. “Afirmamos com firmeza que não se deve desviar do constitucionalismo”, diz o documento.
