Durante o programa ALive, do jornalista Claudio Dantas, a cientista política e advogada Carol Sponza e o deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) discutiram nesta terça-feira (11) as recentes declarações de Renan Santos, fundador do MBL, que afirmou em um discurso que o movimento é um “projeto de poder”.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppA advogada aproveitou a oportunidade para questionar Zacarias sobre as próximas eleições presidenciais: “A pergunta é: vocês, como um partido que se diz de direita, sendo fundado agora, com Jair Bolsonaro como candidato da direita em 2026, quem o MBL vai apoiar? Ou vão continuar em cima do muro, deixando que o Lula seja presidente, que a esquerda seja presidente?”, questionou Sponza.
Antes da indagação, Sponza havia comentado sobre o discurso de Santos, afirmando que “é nítido que o MBL tem essa estrutura de seita, com todo mundo orbitando em volta de uma liderança”.
Zacarias, por sua vez, negou que o MBL tenha uma “estrutura de seita” e esclareceu que o movimento possui uma “estrutura hierárquica”. “O presidente do MBL é o Renan, o líder do MBL é o Renan, e, evidentemente, por uma questão hierárquica, a gente vai obedecer, respeitar, discutir as posições. […] Não é uma estrutura de seita, é uma estrutura idêntica à de seu partido [Novo]”, afirmou o deputado.
Sobre a acusação de que o MBL estaria “em cima do muro”, Zacarias afirmou que o movimento já tomou decisões nas eleições de 2022, 2020 e 2018, e que a discordância não significa que a postura tenha sido uma de neutralidade. “A decisão foi tão bem tomada que você está discordando. […] E outra coisa, o candidato da direita é o Bolsonaro? Não, acho que o Bolsonaro é o candidato do bolsonarismo. Eu sou de direita, e se na eleição de 2026 eu não quiser votar no Bolsonaro, não vou votar. E isso vai me fazer ser de esquerda? Com certeza não. […] Não vou apoiar o Bolsonaro em 2026, como não apoiei em 2022, pelas traições que ele fez”.
Zacarias completou dizendo que, em 2026, apoiará o candidato escolhido pelo MBL para a presidência da República, acatando a decisão do partido político Missão.
Em resposta, Sponza fez uma crítica direta: “Guto, tem uma diferença no meu partido, que é o que o Renan fala nesse vídeo: ‘Eu passei sim pano para o Arthur’. Tenho certeza que, em um caso como esse, a gente viria a público e diria que foi um ato errado e que não passaríamos pano para um vídeo desse. A gente jamais pegaria um vídeo de alguém do Novo dizendo: ‘Olha, eu passei pano sim pro Zema, pro Deltan, pra quem quer que seja, e vocês da academia façam a mesma coisa’. […] Essa é a minha crítica em relação a esse vídeo. E, claro, você pode votar em quem quiser. Minha pergunta foi muito objetiva: em um eventual segundo turno, que sabemos que não terá o candidato do Missão, entre um candidato de esquerda e Bolsonaro, vocês, sendo um partido de direita, vão continuar com esse raciocínio de partido de Centrão: ‘sou isento, deixa que o Lula seja presidente’?”.
Zacarias respondeu afirmando que sua posição política era “assertiva”: “Eu acabei de dar a minha opinião política, minha posição política, e creio que foi uma posição bastante assertiva. Mesmo assim, estão dizendo que estou me isentando de dar minha opinião. […] Do mesmo jeito que você acha que o candidato do Missão não vai estar no segundo turno, eu acho que o Bolsonaro não vai estar no segundo turno porque nem candidato ele será”.
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