Sob Lula, tributação sobre renda perde espaço na arrecadação
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

Sob Lula, tributação sobre renda perde espaço na arrecadação

Impostos sobre consumo avançam no atual governo

Governo Lula negocia contratação de Datena pela EBC, com custo estimado de R$ 1,2 milhão por ano para programas na TV Brasil e Rádio Nacional.
Foto: Ricardo Stuckert/PR.

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Por Redação

Apesar do discurso do governo em defesa do aumento da tributação sobre os mais ricos, os impostos e contribuições incidentes sobre renda e patrimônio reduziram participação no total arrecadado pela União nos três primeiros anos da gestão do presidente Lula (PT).

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Dados da Receita Federal indicam que esses tributos representavam 42% da arrecadação em 2022 e passaram a responder por 40% ao fim de 2025. As informações são do jornal O Globo.

No mesmo período, os tributos cobrados sobre bens e serviços ampliaram presença no bolo arrecadatório. A participação da chamada tributação indireta avançou de 24,8% para 26,8% do total, indicando crescimento do peso dos impostos sobre o consumo.

As receitas vinculadas à movimentação financeira também registraram aumento, ainda que mais moderado. A fatia desse grupo subiu 0,3 ponto percentual e alcançou 3,1% da arrecadação. Em sentido oposto, os tributos incidentes sobre a folha de salários perderam espaço relativo e fecharam 2025 com participação de 28,4%, queda de 0,5 ponto percentual.

Apesar da mudança na composição, todos os grupos de tributos apresentaram crescimento real no período, com arrecadação acima da inflação. O resultado reflete a estratégia fiscal adotada pelo governo, concentrada na ampliação de receitas.

Para elevar a arrecadação, o Executivo adotou uma série de medidas nos últimos anos. Entre elas estão a criação de cobranças sobre fundos exclusivos e empresas sediadas no exterior, a limitação do uso do Juro sobre Capital Próprio (JCP) e mudanças no tratamento tributário de benefícios fiscais concedidos por estados.

Outras iniciativas incluíram o endurecimento das regras de compensação tributária, o aumento do IOF para segmentos do setor financeiro e a retomada da tributação sobre combustíveis, apostas e produtos importados.

Além disso, fatores técnicos influenciaram a evolução da arrecadação no período, como o fim de desonerações aplicadas em 2022 e a redução do impacto de decisões judiciais que afetaram a base de cálculo de tributos sobre o consumo.

Para os próximos anos, o governo aposta na implementação da nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para entrar em vigor em 2027, como parte da reforma tributária do consumo, com o objetivo de reorganizar a estrutura de arrecadação federal.

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