Servidor do BC abriu empresa para receber recursos ligados ao Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Servidor do BC abriu empresa para receber recursos ligados ao Master

Apuração aponta repasses vinculados a operador de Vorcaro e indícios de irregularidades

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ex-chefe de Supervisão do Banco Central do Brasil, Belline Santana, abriu uma empresa voltada à educação financeira de crianças para receber recursos do Banco Master, segundo investigação da autoridade monetária.

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O BC apurou a relação entre Belline e o empresário Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador do banqueiro Daniel Vorcaro, e identificou indícios de enriquecimento ilícito.

Belline foi afastado em janeiro e alvo de operação da PF em março. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, classificou o servidor como “empregado” e “consultor” de Vorcaro no Banco Central.

Segundo a investigação, Belline e o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, teriam recebido pagamentos para atuar como consultores informais do banco. A Controladoria-Geral da União abriu processos administrativos para apurar a conduta dos servidores.

A empresa Inspiração Projetos Educacionais foi registrada em julho de 2025 em um endereço residencial em São Paulo. O negócio foi criado para oferecer capacitação a crianças e jovens, mas teria sido usado para receber valores ligados ao grupo investigado.

Em depoimento ao BC, Belline afirmou que recebeu proposta de R$ 2 milhões de Palhares e que houve pagamentos iniciais de R$ 500 mil. Ele disse que suspendeu os repasses e que eles foram retomados posteriormente por meio da nova empresa.

A Polícia Federal aponta que Belline teria atuado para dificultar a fiscalização do Banco Central e atrasar o envio de documentos à corporação.

A empresa possui capital social de R$ 5 mil, foi registrada no mesmo endereço residencial do ex-servidor e não apresenta presença digital identificável.

As investigações também indicam que empresas ligadas a Palhares teriam sido usadas para pagamentos a servidores e movimentações financeiras relacionadas ao esquema.

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