Senado aprova renegociação de dívidas rurais apesar da oposição do governo Lula
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Política

Senado aprova renegociação de dívidas rurais apesar da oposição do governo Lula

Projeto cria linha especial de crédito para produtores rurais e volta à Câmara dos Deputados após alterações

Renan Calheiros
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) o projeto que cria um programa de renegociação de dívidas para produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos e por impactos econômicos decorrentes de crises internacionais. A proposta avançou mesmo sem o apoio do governo do presidente Lula (PT), que classifica a medida como uma potencial “pauta-bomba” devido aos efeitos fiscais estimados.

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Como o texto sofreu modificações durante a tramitação no Senado, a matéria precisará retornar à Câmara dos Deputados antes de seguir para eventual sanção presidencial.

A votação ocorreu após uma tentativa frustrada de acordo entre parlamentares da bancada do agronegócio e representantes do Ministério da Fazenda. Pouco antes da deliberação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou que não havia consenso com o Executivo, mas decidiu manter a análise da proposta.

“Não há acordo com o governo em relação ao texto apresentado, mas vou deliberar hoje o relatório aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos”, afirmou Alcolumbre.

O projeto foi relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que defendeu a medida como uma alternativa para socorrer produtores rurais atingidos por sucessivas dificuldades financeiras nos últimos anos. Segundo ele, a proposta autoriza o governo a estruturar uma política de reequilíbrio das dívidas do setor.

Pelo texto aprovado, produtores poderão renegociar operações de crédito rural, financiamentos de custeio, investimento, comercialização e industrialização, além de débitos relacionados a Cédulas de Produto Rural (CPRs) e contratos com cooperativas, cerealistas e fornecedores de insumos.

Os financiamentos poderão chegar a R$ 10 milhões por produtor e a R$ 50 milhões para cooperativas e associações. O prazo para pagamento será de até 13 anos, com período mínimo de carência. As taxas de juros variam conforme o perfil do beneficiário, podendo chegar a 7,5% ao ano.

Os recursos para viabilizar a operação poderão vir do Fundo Social do Pré-Sal, de fundos constitucionais de financiamento e de outras fontes sob supervisão do Ministério da Fazenda.

A principal divergência entre governo e Congresso envolve justamente o impacto financeiro da proposta. A equipe econômica estima que o alcance do programa pode representar um custo de até R$ 817 bilhões para a União ao longo dos próximos 13 anos, considerando o universo de contratos que poderiam ser enquadrados. Já os defensores da matéria contestam os cálculos e afirmam que o impacto efetivo seria significativamente menor.

Durante as negociações, o governo tentou endurecer as regras de adesão e elevar as taxas de juros do refinanciamento, mas a maior parte dessas sugestões não foi incorporada ao texto final.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das principais articuladoras da proposta, argumentou que a iniciativa busca oferecer condições para que produtores consigam recuperar a capacidade de investimento diante de um cenário marcado por juros elevados, problemas climáticos e instabilidade internacional.

Com a aprovação no Senado, a proposta retorna agora à Câmara dos Deputados. Caso seja novamente aprovada pelos deputados, seguirá para análise do presidente Lula, que poderá sancionar ou vetar o texto.

Nos bastidores, integrantes do governo já admitem a possibilidade de contestação judicial caso a medida seja mantida sem alterações substanciais.

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