Salário supera jornada reduzida entre prioridades dos trabalhadores, aponta pesquisa da CNI
Brasília, Sexta, 05 de junho de 2026
Brasil

Salário supera jornada reduzida entre prioridades dos trabalhadores, aponta pesquisa da CNI

Levantamento mostra que remuneração, estabilidade e possibilidade de crescimento na carreira pesam mais na escolha profissional

Carteira de trabalho digital. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Os trabalhadores brasileiros continuam priorizando fatores tradicionais ao planejar o futuro profissional. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que salário, estabilidade no emprego e oportunidades de crescimento na carreira lideram a lista de atributos mais valorizados na ocupação desejada para os próximos cinco anos.

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De acordo com a 69ª edição do levantamento Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, 28,7% dos entrevistados apontaram a remuneração como o principal diferencial na escolha de uma profissão. Em seguida aparecem a estabilidade no emprego, mencionada por 22,4%, e a perspectiva de ascensão profissional, citada por 20,1%.

Os resultados indicam que esses critérios seguem à frente de aspectos associados aos novos modelos de trabalho. A flexibilidade de horários foi lembrada por 19,3% dos participantes, enquanto a possibilidade de atuar remotamente recebeu 15,9% das menções. Já a jornada reduzida apareceu entre as prioridades de apenas 9,8% dos entrevistados.

Segundo a especialista em políticas e indústria da CNI, Claudia Perdigão, o estudo revela que a busca por vínculos formais continua predominando entre os trabalhadores, mesmo diante da expansão de formatos mais flexíveis de contratação e organização do trabalho.

A pesquisa também investigou as principais barreiras enfrentadas por quem busca alcançar seus objetivos profissionais. Para 22% dos entrevistados, o maior desafio é a escassez de vagas com condições consideradas adequadas. Outros 17,6% afirmaram que a falta de experiência prática dificulta a inserção ou progressão no mercado de trabalho.

A carência de cursos de formação compatíveis com as exigências das empresas na região onde vivem foi apontada por 16,9% dos participantes. O levantamento ainda identificou como obstáculos a necessidade de cuidar de familiares (16,1%), a ausência da qualificação exigida pelo mercado (12,7%), a falta de informações sobre oportunidades de emprego (11,9%) e situações de discriminação por parte de empregadores (8,3%).

Outro dado que chama atenção é a incerteza em relação ao futuro profissional. Cerca de 43% dos brasileiros afirmaram não saber em qual profissão se imaginam trabalhando daqui a cinco anos, indicando um cenário de dúvidas sobre os rumos da carreira.

O estudo ouviu 2.008 brasileiros com 16 anos ou mais em todas as unidades da Federação. As entrevistas foram realizadas entre 10 e 15 de outubro de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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