O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tem mantido conversas reservadas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, enquanto o governo Donald Trump amplia a pressão sobre o regime cubano. A informação foi divulgada pelo site Axios, com base em três fontes.
As tratativas não passam pelos canais oficiais do governo de Havana. Segundo as fontes, a interlocução demonstra que a Casa Branca considera Raúl Castro, de 94 anos, o principal tomador de decisões na ilha.
“Eu não chamaria isso de ‘negociações’, mas sim de ‘discussões’ sobre o futuro”, afirmou um alto funcionário do governo Trump ao site. Ele acrescentou: “Nossa posição — a posição do governo dos EUA — é que o regime tem que acabar. Mas o que exatamente isso significa depende do [presidente Trump], e ele ainda não decidiu. Rubio ainda está em negociações com o neto.”
Raúl Guillermo, conhecido como “Raulito” e apelidado de “El Cangrejo”, tem 41 anos e integra o círculo próximo do avô. Segundo fontes ouvidas pelo Axios, integrantes do governo americano veem o grupo do jovem Castro como representante de uma geração mais pragmática, aberta a reaproximação com os Estados Unidos.
De acordo com o relato, as conversas têm sido descritas como “surpreendentemente” amistosas. “Não há diatribes políticas sobre o passado. Trata-se do futuro”, afirmou uma fonte. Outra declarou: “Raulito pode ser de Hialeah mesmo. Essa pode ser uma conversa entre caras comuns nas ruas de Miami.”
O contexto é de agravamento da crise em Cuba. A ilha enfrenta falhas no fornecimento de energia, escassez de alimentos e combustível, queda no turismo e dificuldades no sistema de saúde. A situação se intensificou após a operação determinada por Trump, em 3 de janeiro, que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado estratégico de Havana.
Em 29 de janeiro, Trump também anunciou medidas para ampliar a pressão econômica sobre Cuba, incluindo ameaças de sanções a países que forneçam petróleo à ilha.
Segundo o Axios, assessores de Trump têm buscado interlocução com figuras consideradas influentes dentro da estrutura cubana. “Eles estão procurando a próxima Delcy em Cuba”, afirmou uma fonte, em referência à vice-presidente venezuelana que assumiu interinamente após a saída de Maduro.
Rubio não teria mantido contato com o presidente cubano Miguel Díaz-Canel nem com outros dirigentes do Partido Comunista. De acordo com fontes citadas, esses nomes são vistos como sem autonomia para negociar mudanças estruturais.
Questionado sobre as conversas, o governo cubano declarou ao Axios que “não há diálogo de alto nível entre o governo dos Estados Unidos e Cuba”. A nota afirma que “houve apenas trocas de mensagens” e que não existem mais diálogos regulares com o Departamento de Estado.
O Departamento de Estado não confirmou nem negou as conversas entre Rubio e Raulito, e informou que não comentaria o assunto.
Na segunda-feira, Trump afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One: “Estamos conversando com Cuba neste momento… e eles definitivamente deveriam fechar um acordo.”
