O ainda ministro da Previdência, Carlos Lupi, disse à Folha que o INSS tomou diversas medidas contra os descontos ilegais em contra-cheques de aposentados e que ele não foi omisso, pois demitiu no ano passado o diretor de benefícios André Fidelis. Para ele, “muitas instituições abusaram e devem pagar por isso”, mas “não pode generalizar, senão a gente instaura um tribunal de inquisição”.
Lupi também resolveu transferir a culpa para o governo de Jair Bolsonaro. “Mais de 60% dos descontos estão concentrados em 11 associações. Cinco delas foram credenciadas em 2022, e a partir daí elas concentraram muito esforço para ampliar o recolhimento de contribuição”, disse.
Segundo o ministro, haveria ainda uma conspiração por parte dos bancos. “Por trás disso, tem a minha luta contra a taxa de juros dos empréstimos consignados, que é meu principal problema. O sistema financeiro é um sistema com muito poder.”
Por fim, diz que quem levantou a questão no INSS foi Tonia Galetti, representante do Sindnapi, sindicato que tem Frei Chico, irmão de Lula, como vice-presidente. Ela estaria incomodada com o crescimento de outras associações sem trajetória no setor. “Era uma disputa de espaço, e ela fez aquele questionamento dizendo que tinha que investigar. Claro que tinha que investigar.”
A entrevista de Lupi é um primor do caráter esquerdista. Joga a responsabilidade no antecessor, pede para que não generalizem as acusações, se diz vítima da conspiração do capital opressor, e, por fim, acaba entregando os colegas.
