Cerca de quinze parlamentares, majoritariamente da esquerda, apresentaram emendas à Medida Provisória 871/2019 que foram redigidas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). A entidade é investigada pela PF por envolvimento no escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O rombo estimado ultrapassa R$ 6,3 bilhões.
A MP, proposta no governo Bolsonaro, buscava combater fraudes e exigia revalidação anual de descontos associativos. Com o lobby da Contag, esse prazo foi ampliado para três anos — medida que nunca entrou em vigor e acabou revogada em 2022.

Análise de metadados feita pelo Metrópoles identificou 96 emendas com autoria da Contag. Entre os nomes ligados ao PT que apresentaram as emendas estão Zé Neto (BA), Patrus Ananias (MG), Valmir Assunção (BA), Marcon (RS), Rubens Pereira Júnior (MA), os senadores Humberto Costa (PE) e Jaques Wagner (BA), além dos ex-senadores Jean Paul Prates (RN) e Paulo Rocha (PA).
Outros parlamentares que assinaram propostas da Contag incluem Jandira Feghali (PSol-RJ), Otto Alencar Filho (PSD-BA), Daniel Almeida (PCdoB-BA), Celso Maldaner (MDB-SC), Tereza Nelma (PSD-AL) e João Carlos Bacelar (PL-BA). Este último negou relação com a entidade.
