O déficit nominal do setor público consolidado (formado por União, estados, municípios e estatais) atingiu R$ 1,089 trilhão no acumulado de 12 meses até fevereiro. Os dados foram divulgados nesta manhã (31) pelo Banco Central (BC).
O rombo fiscal anualizado é o maior desde novembro de 2024, quando o déficit foi de R$ 1,111 trilhão.
Em fevereiro, o setor público registrou déficit de R$ 100,6 bilhões. O resultado nominal, que considera receitas e despesas incluindo juros da dívida, reflete também a apropriação de R$ 84,2 bilhões em juros. No mês, o resultado nominal do governo ficou negativo em R$ 100,589 bi.
O rombo anualizado de R$ 1,089 trilhão equivale a 8,48% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado é comparável ao período da pandemia de Covid-19, quando o governo federal elevou gastos para combater os efeitos do vírus e do isolamento social.
O gasto com juros da dívida, por sua vez, alcançou R$ 1,037 trilhão, ou 8,07% do PIB, e registrou recorde na série histórica do BC, iniciada em 2002. O valor superou os R$ 1,031 trilhão de janeiro e os R$ 924 bilhões de fevereiro de 2025.
Apesar de recorde em valor, o maior patamar da dívida em relação ao PIB foi registrado em agosto de 2023, com 9,47%.
O resultado primário, que desconsidera os juros da dívida, registrou déficit de R$ 52,8 bilhões no acumulado de 12 meses até fevereiro. O saldo negativo desacelerou frente a janeiro (R$ 55,4 bilhões), mas aumentou em relação a fevereiro de 2025 (R$ 15,9 bilhões).
De acordo com o BC, o déficit nominal e os gastos elevados com juros reforçam a pressão sobre as contas públicas e aumentam o endividamento do país.
