Renan acusa CVM de prevaricação em caso do Banco Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Renan acusa CVM de prevaricação em caso do Banco Master

Presidente da CAE diz que autarquia falhou na fiscalização de fundos

O senador rejeitou a tese de erro administrativo e classificou a atuação da CVM como omissão grave. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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Por Redação

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acusou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de prevaricação por falhas na fiscalização do Banco Master, liquidado no fim do ano passado. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar afirmou que a autarquia deixou de cumprir sua função legal de supervisionar fundos de investimento.

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“A CVM prevaricou na sua competência de fiscalizar. A autarquia, como todos sabem, é responsável legal pela fiscalização dos fundos de investimento”, declarou Renan.

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o senador anunciou a criação de uma comissão específica para acompanhar e investigar o caso envolvendo o Banco Master, cujo presidente, Daniel Vorcaro, é acusado de uma série de fraudes financeiras. Segundo Renan, o Senado vai assumir o papel que, na avaliação dele, não foi exercido pelo órgão regulador.

“Se a CVM falhou na sua missão primária, o Senado assumirá essa responsabilidade”, afirmou.

Ele acrescentou que a comissão vai convocar autoridades para esclarecer a cadeia de responsabilidades. “Queremos saber quem operou, quem autorizou e quem fechou os olhos”, disse.

O senador rejeitou a tese de erro administrativo e classificou a atuação da CVM como omissão grave.

“Não se trata de um erro administrativo. É uma cegueira total”, afirmou no vídeo.

De acordo com Renan, sob a fiscalização dos órgãos reguladores, o Banco Master acumulou bilhões de reais em carteiras de crédito consideradas fictícias e em operações de empréstimos consignados supostamente fraudadas, o que teria causado prejuízos a investidores.

O parlamentar reconheceu que o Banco Central adotou medidas posteriores, como a liquidação de instituições envolvidas no caso, mas avaliou que as ações foram tardias. Para ele, a CVM é a responsável direta por explicar como ativos foram precificados de forma irreal sem qualquer alerta ao mercado.

“É preciso dizer com todas as letras que a CVM, no exercício de sua competência, é a responsável pela fiscalização desses fundos. O que precisa ser explicado é como foi possível permitir uma bolha de ilusão para os investidores”, afirmou.

O caso reacendeu o debate sobre falhas na regulação do sistema financeiro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o Banco Central passe a fiscalizar também os fundos de investimento, medida que depende de aprovação do Congresso.

Em nota, a CVM afirmou que seu papel na regulação e fiscalização dos fundos de investimento está definido em lei e não pode ser alterado por decisões do Poder Executivo.

Renan afirmou que o Senado vai aprofundar as investigações antes de discutir mudanças regulatórias e alertou para riscos mais amplos.

“O Senado não pode e não vai se calar diante de um mercado que, sob a fachada de investimentos complexos, muitas vezes se presta à lavagem de dinheiro do crime organizado”, concluiu.

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