O Estadão manchetou hoje que Roberto Campos Neto sabia dos problemas de liquidez do Banco Master, mas resistiu à liquidação. O que o jornal não diz é que o ex-presidente do Banco Central deixou seu pupilo Renato Dias de Brito Gomes para fazer o serviço. Renato é apontado em diferentes reportagens como ‘herói da Globo’ e ‘benfeitor’ de André Esteves, mas entrou na autarquia pelas mãos de Campos Neto, mesmo sem ter qualquer experiência anterior na área.
Quem bancou a indicação no Senado foi o emedebista Fernando Bezerra Coelho, então líder do governo. Já na ocasião chamava atenção o currículo de Renato Brito, que até ali reunia apenas experiências acadêmicas, um mestrado na PUC, um doutorado em Illinois (EUA) e uma licença de supervisor de pesquisas em economia, da Universidade Toulose-Capitole (França). Zero experiência de mercado, nem como agente ou como regulador.
Ainda assim, assumiu o comando da Diretoria de Organização do Mercado Financeiro, uma caneta mais poderosa que do próprio presidente.
Hoje, isso está mais que evidente. Com essa caneta, Renato barrou a compra do Master pelo BRB; multou o Master ao menos 2 vezes, redigiu a regra que restringiu o uso do FGC, desenquadrando o banco e forçando-o a buscar recursos nos RPPS; e impediu uma solução de mercado prestes a ser sacramentada. Com essa caneta, determinou o afastamento de Vorcaro dos negócios e a venda urgente de ativos bilionários para o BTG. Com essa mesmíssima caneta, repassou ao banco de André Esteves as massas falidas do Nacional e do Econômico, numa operação que permitirá ao banqueiro lucrar por baixo uns R$ 10 bilhões em FCVS e prejuízos fiscais.
AMIZADE PERIGOSA
Vale lembrar que, em 2019, o banqueiro cometeu uma indiscrição ao comentar com clientes VIPs que o então presidente do BC havia lhe telefonado para perguntar sua opinião sobre a taxa Selic. O episódio levou o Senado a convocar Campos Neto a dar explicações. Fernando Bezerra então atuou para transformar a convocação em convite, reduzindo a pressão e o desgaste sobre o caso. Pelo visto, o ex-presidente do BC acabará tendo de dar novas explicações sobre sua relação com Esteves, além dele própria e do ex-diretor – o mandato de Renato encerrou-se em dezembro –, caso a CPMI do Master seja mesmo instalada.

