Rede de offshores blindava patrimônio do Grupo Refit, aponta investigação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Rede de offshores blindava patrimônio do Grupo Refit, aponta investigação

Operação contra Refit escancara urgência do PL do Devedor Contumaz
Foto: Divulgação/Receita Federal

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Esquema usava fundos e empresas nos EUA para ocultar bens e lavar ativos

A operação “Poço de Lobato” expôs, na manhã desta quinta-feira (27), uma rede de fundos que era usada para blindar o Grupo Refit, empresa do setor de combustível apontada pela Receita Federal como a maior devedora de impostos do Brasil.

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A companhia teria causado um prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofrs públicos. As investigações mostraram uma rede de holdings, offshores, instituições de pagamento e fundos de investimento usada para ocultação e blindagem patrimonial.

O esquema envolvia 17 fundos de investimento e mais de 15 offshores internacionais localizadas em jurisdições como Delaware e Texas, nos Estados Unidos. A estrutura facilitava a lavagem de ativos. A maioria dos fundos era composta por apenas um cotista, frequentemente outro fundo, formando camadas sucessivas de ocultação. Segundo as apurações, uma rede de colaboradores atuava na blindagem dos reais beneficiários.

O grupo utilizava camadas societárias e financeiras para gerir e expandir operações na cadeia de produção e distribuição de combustíveis. De acordo com a Receita, o grupo mantinha relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor.

As investigações apontaram que o dinheiro ilícito era reinvestido em empresas, imóveis e ativos por meio de fundos de investimento. A estrutura dava aparência de legalidade e dificultava o rastreamento. Como resultado das apurações, foram bloqueados cautelarmente mais de R$ 10,2 bilhões em bens.

Empresas ligadas ao grupo utilizaram técnicas para evitar o pagamento de ICMS ao Estado de São Paulo. As práticas incluíam infrações fiscais repetidas, uso de empresas interpostas e simulação de vendas interestaduais de combustíveis.

Importadoras adquiriram nafta, hidrocarbonetos e diesel do exterior com recursos de formuladoras e distribuidoras ligadas ao grupo. Entre 2020 e 2025, os investigados importaram mais de R$ 32 bilhões em combustíveis.

A empresa alvo já teve quatro navios retidos, com cerca de 180 milhões de litros de combustível. A ANP interditou a refinaria após suspeita de importação com falsa declaração de conteúdo.

As infrações envolveram holdings, offshores, instituições de pagamento e fundos de investimento. Segundo as autoridades, o fluxo financeiro era estruturado, com movimentação bilionária por dezenas de fundos e instituições, com participação de administradoras e gestoras.

A operação foi conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar.

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