A PF cumpriu mandados contra integrantes de esquema de fraudes no INSS
Durante a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra integrantes de uma organização suspeita de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo as investigações, os valores descontados indevidamente eram lavados e ocultados por meio de empresas de fachada e associações, estruturando uma organização criminosa organizada em diferentes núcleos.
A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, determinou a prisão preventiva de:
- Romeu Carvalho Antunes – sucessor operacional de Antônio Camilo, o “Careca do INSS”; gerenciava empresas, criava novas pessoas jurídicas e conduzia operações de lavagem de dinheiro, inclusive internacional.
- Tiago Schettini Batista – coordenador operacional; articulava a parte financeira e política do esquema e gerenciava pagamentos ocultos.
- Domingos Sávio de Castro – parceiro de negócios de Antônio Camilo; controlava empresas usadas para ocultação patrimonial.
- Adelino Rodrigues Junior – responsável pelo fluxo financeiro interno; ajudava a ocultar e movimentar recursos ilícitos, com mais de R$ 500 mil em espécie apreendidos.
- Rubens Oliveira Costa – gerente operacional; executava lavagem de dinheiro e gerenciava pagamentos vultosos por meio de contratos simulados.
- Alexandre Caetano dos Reis – contador do grupo; sócio de empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, atuava na internacionalização do esquema.
- Milton Salvador de Almeida Júnior – elo entre administradores intermediários e ordens de Antônio Camilo; gerenciava empresas de fachada e a logística financeira do grupo.
- Eric Fidelis – filho de ex-diretor do INSS; recebeu mais de R$ 2,2 milhões da organização por meio de empresas de fachada e de sua atuação como advogado.
- Paulo Gabriel Negreiros – administrador da CBPA; envolvido em fraudes contra beneficiários do INSS, junto com Antônio Camilo e Tiago Schettini.
- Alexandre Guimarães – ex-diretor do INSS; sócio de empresa de fachada financiada pelo esquema, garantindo cobertura institucional.
- Rodrigo Moraes – integrante do núcleo financeiro; gerenciava empresas usadas para a circulação de recursos ilícitos.
- Gustavo Marques Gaspar – ex-assessor parlamentar; participou da criação de empresas, recebimento de propina e ocultação de bens.
- Alexandre Moreira da Silva – integrante do núcleo financeiro e parceiro de negócios de Antônio Camilo, conhecido como “Careca do INSS”; intermediou a venda de um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 15 milhões.
- Sílvio Roberto Machado Feitoza – atuava no fluxo de ocultação e dissimulação da origem dos valores movimentados pelo esquema.
- Aldo Luiz Ferreira – integrante do núcleo financeiro; responsável pela emissão e circulação de numerário vinculado à organização criminosa.
O ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Outros investigados também foram submetidos à monitoração eletrônica, além de restrições de deslocamento e de contato uns com os outros: Cristiana Alcantara Alves Zago, Erick Janson Vieira Monteiro Marinho, Heitor Souza Cunha, Roberta Luchsinger, Danielle Miranda Fonteneles, Marcos de Brito Campos Júnior e Hélio Marcelino Loreno.
O pedido de prisão preventiva do senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado pela PF como um dos líderes do esquema, foi negado pelo STF, após parecer do Ministério Público que destacou a ausência de provas diretas de participação ou recebimento de valores ilícitos.
Operação Sem Desconto
A investigação começou em abril, na primeira fase da operação, e revelou que aposentados e pensionistas do INSS tiveram descontos indevidos para associações e empresas ligadas a Antônio Camilo, conhecido como “Careca do INSS”. A fraude atingiu principalmente idosos que recebiam até dois salários mínimos.
