Queda no preço dos alimentos dá trégua temporária; inflação pode disparar - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Queda no preço dos alimentos dá trégua temporária; inflação pode disparar

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Por Redação

Café, carne e hortaliças devem puxar inflação para cima

A leve queda de 0,18% nos preços de alimentos e bebidas em junho, registrada pelo IBGE, trouxe apenas uma trégua após nove meses seguidos de alta. Apesar do alívio temporário, o cenário para os próximos meses ainda é de pressão inflacionária. No acumulado do semestre, alimentos subiram 3,69%, acima do IPCA geral, que ficou em 2,99%.

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O recuo pontual foi atribuído a políticas como ampliação de estoques reguladores, apoio à agricultura familiar e estímulo à produção de insumos, como o milho. Mas analistas do setor privado têm uma outra leitura.

“Para os próximos três meses, projetamos uma reaceleração dos preços de alimentação no domicílio”, afirmou Iago Souza, da Genial Investimentos ao Gazeta do Povo.

Entre os produtos que mais encareceram no semestre estão manga (75,1%), tomate (56,1%), café (42,9%), pepino (40,6%) e morango (39,9%). As carnes, segundo Souza, ainda devem exercer forte influência na inflação, com picos no terceiro trimestre causados, entre outros fatores, por repasses atrasados de custos da cadeia produtiva.

O café também preocupa. Mesmo sendo o maior produtor mundial, o Brasil destina cerca de 60% de sua produção para exportação, o que atrela o preço interno ao mercado internacional. Segundo Souza, a combinação de estiagem seguida de excesso de chuvas prejudicou a colheita. Além disso, outros exportadores, como Etiópia e Uganda, também enfrentaram problemas.

Frutas como melancia, tangerina e uva devem sofrer alta sazonal no terceiro trimestre. Já hortaliças como alface e couve enfrentam o frio e a baixa luminosidade do inverno, que dificultam o crescimento e diminuem a oferta.

Enquanto alimentos recuaram em junho, o IPCA geral avançou 0,24%.

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