Nos últimos dias, o PSOL enfrenta uma disputa interna sobre critérios de distribuição do fundo eleitoral deste ano. A deputada federal Erika Hilton (SP) cobrou publicamente a direção nacional do partido e apontou suposta diferença de tratamento na destinação de recursos, especialmente em relação à pré-candidatura de Manuela D’Ávila ao Senado pelo Rio Grande do Sul.
A parlamentar foi às redes sociais para questionar a divisão das verbas e afirmou haver descumprimento de acordos internos. Erika diz que deveria haver uma regra de priorização de recursos para candidaturas consideradas estratégicas e que isso não estaria sendo respeitado na prática.
No centro da crítica está a comparação entre os valores previstos para diferentes candidaturas. Sem divulgar as cifras, a deputada afirma que o presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, teria previsão de receber volume semelhante ao destinado à sua campanha de reeleição. Também apontou que Manuela, recém-filiada ao partido, teria estimativa de recursos superior ao dobro do previsto para sua candidatura.
Em post nas redes sociais, Erika criticou a distruição alegando que “é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo”. Também afirmou que a situação representa “uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL”.
A deputada diz ainda que havia um compromisso político interno ligado à estratégia de “puxadores de votos”, e que isso teria orientado sua permanência no partido em meio às discussões sobre regras eleitorais e acesso ao fundo partidário.
Em nota, o PSOL afirmou que a distribuição dos recursos ainda será definida nas instâncias partidárias. O partido declarou que a campanha de Erika é o “maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais”.
Medeiros também rebateu críticas feitas por Hilton. Segundo ele, a deputada deve receber R$ 2,3 milhões da verba, alta de 61,5% em relação ao valor recebido pela parlamentar nas eleições anteriores.. “Como já é tradicional no PSOL, receberão mais os candidatos de manutenção da bancada, ou seja, atuais deputados ou pessoas apoiadas pelos que não serão candidatos”, escreveu.
“É o caso de Ivan Valente e Guilherme Boulos, que apoiarão a minha candidatura e a de Natalia Boulos. Eu e Natalia, candidatos de primeira viagem, receberemos o mesmo valor, ainda que Erika não tenha citado o nome dela”, afirmou o presidente da federação PSOL-Rede.
A Executiva Nacional do PSOL deve se reunir em 18 de julho para deliberar sobre a divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O partido terá R$ 131.506.284 para distribuir entre suas candidaturas nas eleições deste ano, valor 31,4% acima do de 2022, quando recebeu pouco mais de R$ 100 milhões.
Para 2026, o PSOL aparece como o 12º partido com mais recursos do fundo eleitoral. A liderança é do PL, com cerca de R$ 881,6 milhões, seguido pelo PT, com aproximadamente R$ 615,3 milhões, e pelo União Brasil, com cerca de R$ 526,2 milhões. Em 2022, o PSOL ocupava a 14ª colocação.
