Líder russo recusa ajustes ao plano de paz discutido com enviado do governo Trump
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira (2) que “se a Europa quiser lutar uma guerra, nós estamos prontos agora”, ao rejeitar pontos defendidos pela Ucrânia e por líderes europeus no plano de paz apresentado pelo governo de Donald Trump. A declaração ocorreu durante reunião em Moscou com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, responsável por entregar a versão retificada do acordo.
Segundo Putin, as exigências europeias são “totalmente inaceitáveis” para Moscou. O plano original elaborado pelos EUA previa concessões como cessão de território ucraniano e limitação do efetivo militar de Kiev. A contraproposta europeia não foi detalhada, mas a imprensa norte-americana indica ajustes como redução menor do Exército ucraniano. Aliados de Volodymyr Zelensky também rejeitam qualquer cessão territorial.
A fala de Putin ocorre em meio ao pico das tensões com a União Europeia. Países do bloco aumentaram investimentos militares após incidentes recentes com drones e declarações de autoridades da Otan sobre possíveis “ataques preventivos”, o que irritou o Kremlin.
Putin afirmou estar disposto a negociar, mas advertiu que, caso não haja acordo, as tropas russas avançarão e tomarão “mais território”. Na segunda-feira (1º), Moscou afirmou ter capturado a cidade de Pokrovsk, ponto estratégico no leste ucraniano, após quase um ano de combates. A Ucrânia nega a perda total da área e diz manter posições no norte da cidade.
O Kremlin também anunciou a tomada de Vovchansk, na região de Kharkiv, embora a confirmação independente não exista até o momento. As forças russas controlam hoje mais de 19% da Ucrânia e avançaram em 2025 no ritmo mais rápido desde 2022, segundo dados citados pela imprensa internacional.
Pokrovsk é vista como crucial no conflito. Sua queda dificultaria o abastecimento ucraniano no leste e abriria caminho para ofensivas russas rumo ao oeste e ao norte, ampliando o risco de cerco sobre unidades ucranianas.
Witkoff continuará as conversas em Moscou, enquanto os EUA pressionam por um cessar-fogo e os europeus tentam alterar os termos do plano de Trump.
