ONU e países em desenvolvimento alertam para risco de exclusão no evento climático
O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, informou que não participará da COP30, prevista para novembro em Belém (PA), alegando altos custos logísticos para a viagem. A informação foi divulgada pela emissora pública austríaca ORF.
Bellen reconheceu a relevância da conferência e o “grande valor simbólico” do local escolhido, mas afirmou que os gastos para sua presença, somados aos da delegação de negociadores, não cabem no orçamento da Chancelaria Presidencial. Com a desistência, o país será representado pelo ministro do Meio Ambiente, Norbert Totschnig.
A ausência do presidente austríaco expõe um problema que ameaça a legitimidade do evento, que é o impacto do custo elevado de hospedagens em Belém sobre a participação de países mais pobres. Muitos deles, considerados os mais vulneráveis aos impactos ambientais, possuem orçamento diário de apenas US$ 143 para alimentação e estadia, conforme tabela da ONU.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, alertou para o risco de esvaziamento do encontro.
“Temos que encontrar uma maneira de que eles possam estar em Belém. Com a ausência dos países pobres, ficaria uma COP sem legitimidade”, afirmou.
A questão se agravou após 25 nações, incluindo integrantes do bloco dos Países Menos Desenvolvidos (LDC), enviarem uma carta cobrando soluções. Entre os signatários estão Tuvalu, Libéria, Angola e Gâmbia.
O escritório climático da ONU convocou uma reunião de emergência para tratar do aumento das tarifas de hospedagem, que o governo brasileiro não conseguiu conter, mesmo após tentativas de acordo com o setor hoteleiro.
Corrêa do Lago admitiu que, sem uma resposta rápida, o custo excessivo poderá ser visto como um fator de exclusão, minando a legitimidade da conferência em Belém.
