A caderneta de poupança voltou a registrar perda de recursos em março, com um saldo negativo de R$ 11,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (9). O resultado indica que os saques superaram os depósitos no período, mantendo uma tendência observada nos últimos anos.
No mês, os depósitos somaram R$ 369,6 bilhões, enquanto as retiradas alcançaram R$ 380,7 bilhões. Apesar disso, os rendimentos creditados nas contas totalizaram R$ 6,3 bilhões, contribuindo parcialmente para o saldo da aplicação, que ainda se mantém próximo de R$ 1 trilhão.
O movimento de saída de recursos não é isolado. A poupança vem acumulando resultados negativos de forma recorrente: em 2023, as retiradas líquidas chegaram a R$ 87,8 bilhões, e em 2024, a R$ 15,5 bilhões. Em 2025, o saldo também foi negativo, com perda de R$ 85,6 bilhões.
No acumulado do primeiro trimestre deste ano, os saques já somam R$ 41,2 bilhões, evidenciando a continuidade da migração de recursos para outras modalidades de investimento.
Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento está o patamar elevado da taxa básica de juros. Com a Selic em níveis altos, aplicações financeiras mais rentáveis tendem a atrair investidores em busca de maior retorno. Ainda assim, o Banco Central iniciou recentemente um ciclo de redução dos juros, com um corte de 0,25 ponto percentual, embora não descarte mudanças no ritmo de queda diante de incertezas econômicas internacionais.
A Selic é utilizada como principal instrumento de controle da inflação. Ao subir os juros, o Banco Central busca conter o consumo e, consequentemente, a pressão sobre os preços, já que o crédito se torna mais caro e a poupança mais atrativa.
