A Polícia Civil de São Paulo identificou dois postos de combustível suspeitos de vender etanol adulterado com metanol, usado na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas que causaram duas mortes: Um dos postos fica em São Bernardo do Campo (SBC) e o outro em Santo André, no ABC Paulista, sendo este último apontado como principal fornecedor.
Nesta manhã (17), agentes da corporação realizaram uma nova operação contra um grupo suspeito de fabricar e vender as bebidas adulteradas. Ao divulgar o balanço da ação durante coletiva de imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, afirmou que a principal hipótese dos investigadores é que a fábrica tenha distribuído bebidas contaminadas para a maioria dos estabelecimentos envolvidos nos casos de intoxicação.
“É uma hipótese que nós já constatamos com três lugares [para] que ela distribuiu. Duas [mortes] a gente já comprovou que saíram dali”, disse Dian na coletiva. “Quatro mortes ainda estão sob investigação para determinar se também têm origem na mesma fábrica”.
O Brasil registra 41 casos de intoxicação por metanol, além de ter registrado oito mortes, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde. São Paulo concentra 60,81% das notificações. 469 casos foram descartados em todo o país.
De acordo com o delegado-geral, “por enquanto não há suspeita de outra fábrica clandestina” envolvida. “Essas outras quatro mortes, de onde saiu essa bebida [que provocou os óbitos] a gente vai constatar ainda”, completou.
Na fábrica em São Bernardo, foram encontradas bombonas de etanol comprovadamente contaminadas com metanol. “O combustível [apreendido] foi comprado nesses postos de gasolina [do ABC] e foi constatado que essas bombonas continham o etanol com o metanol”, explicou Dian, citando os pagamentos efetuados pela mulher apontada como proprietária do local e por membros de sua família.
Ao ser questionado sobre eventual participação de facções criminosas na adulteração das bebidas, o delegado afirmou que não há “apontamento de crime organizado na fabricação de bebidas”. Já sobre a compra de combustível adulterado e a ligação do PCC com a atividade, disse que a atuação da facção ocorre “da bomba pra trás”, mas que “da bomba pra frente a gente não tem essa constatação”.
A polícia afirma que a proprietária da fábrica e seus familiares — marido, pai e cunhado — são especializados em falsificação. A investigação agora busca saber se donos de bares e distribuidoras tinham conhecimento da compra de bebidas adulteradas.
