Parlamentar promete reviravolta na votação do Senado e diz que vai lutar pra trazer o termo “terroristas” de volta “ao jogo”
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) antecipou que o Senado deve travar um novo embate sobre o PL Antifacção, aprovado na Câmara com 370 votos favoráveis e diversas divergências internas.
Para ele, o texto relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) “não agradou ninguém” e precisa ser endurecido.
Viana afirma que pretende apresentar emenda para restabelecer a classificação das facções criminosas como “grupos narcoterroristas”, além de defender penas mais duras e cumprimento integral de sentenças.
O senador argumenta que a sociedade “está cansada de benefícios para quem comete crimes” e que o Estado precisa recuperar espaços “tomados pelos bandidos”.
Ele critica a tentativa de Derrite de construir um consenso com setores da esquerda, dizendo que o relator “tentou agradar a esquerda e não agradou ninguém”.
Para Viana, se a oposição já havia decidido votar contra o texto, a condução deveria ter sido mais rígida. “Se o outro lado vai votar contra, então vamos para a luta”, afirmou.
Viana critica esquerda, STF e risco de expansão das facções
O senador também rebateu o argumento de que classificar facções como terroristas poderia abrir margem para intervenção internacional.
Ele classificou essa interpretação como “romântica” e desconectada da realidade das comunidades dominadas por barricadas e controle armado.
Viana reforça que decisões do Supremo Tribunal Federal teriam impedido a atuação policial no Rio de Janeiro, contribuindo para um acúmulo de confrontos. “Como falar em intervenção externa numa cidade onde moradores passam por revista de criminosos?”, questionou.
Para ele, políticas de segurança de governos de esquerda reforçam a expansão do crime organizado.
Viana afirma que facções já ocupam presídios no Nordeste e na região Norte e alerta que, caso o país não reaja com leis mais duras, esses grupos podem “invadir centros de governo”.
O senador sustenta que, se indivíduos armados com fuzis desafiam o Estado, devem sofrer consequências severas, posição que, segundo ele, é compartilhada pela maioria de centro-direita no Senado.
Sobre possíveis tensões entre Câmara e Senado, caso a Casa revisora altere partes centrais do texto, Viana diz não ver crise.
Ele afirma que divergências são naturais e que a Câmara poderá “repensar” suas posições caso o Senado restabeleça o conceito de narcoterrorismo.
O senador também avalia como positiva a indicação do senador Alessandro Vieira para relatar o projeto, mas diz que apresentará suas emendas e, se necessário, destaques em plenário. “Facções criminosas são narcoterroristas. Não podemos abrir mão disso”, reiterou.
