A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou indícios de confusão patrimonial em um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, utilizado para investir no Clube Atlético Mineiro. A informação consta em pedido de busca e apreensão que embasou a operação realizada na última quarta-feira (14), segundo a coluna de Natália Portinari, do UOL.
De acordo com a PGR, o fundo Astralo 95, usado para aplicar R$ 300 milhões no clube mineiro, está entre os veículos que, conforme informe do Banco Central, teriam sido utilizados para desvio de recursos do Master. Em conjunto com o Reag Growth 95, o Astralo 95 movimentou cerca de R$ 1,45 bilhão entre abril e maio de 2024.
Os principais beneficiários finais declarados do Astralo 95 são parentes de João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, que teve liquidação decretada pelo Banco Central. A PGR afirma, porém, que há dúvidas sobre quem efetivamente controla a cadeia de fundos envolvida nas operações.
Até novembro de 2024, o Astralo 95 detinha 100% das cotas do Galo Forte FIP. A partir de dezembro, 80% passaram a ser atribuídas a Daniel Vorcaro, enquanto 20% permaneceram com o Astralo 95. Para a PGR, essa configuração contraria a versão pública de que Vorcaro já seria o proprietário do Galo Forte FIP desde o fim de 2023.
O fundo foi utilizado pelo empresário para adquirir 25% da Galo Holding, controladora da sociedade anônima do futebol (SAF) do Atlético-MG. A investigação sustenta que o fundo responsável pela compra da participação pode ter sido usado para desviar recursos do Banco Master, sem detalhar a origem exata dos R$ 300 milhões investidos.
Segundo a apuração, a confusão patrimonial decorre da sobreposição de transações entre os fundos, o que dificulta identificar se o aporte partiu de recursos pessoais de Vorcaro, do banco ou de outros investidores.
O Atlético-MG não se manifestou. Por meio de sua assessoria, Vorcaro informou que não comentaria o caso.
Fundos sob suspeita
A investigação do Ministério Público Federal em São Paulo aponta movimentações de R$ 5,7 bilhões para fundos que podem ter recebido recursos desviados do Banco Master. O inquérito indica que empresas em nome de laranjas figuravam como destinatárias finais dos valores.
