PF liga senador Izalci a suspeito de desvio em associação  - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

PF liga senador Izalci a suspeito de desvio em associação 

Senador Izalci Lucas (PL-DF) vai pedir que servidores da Receita e o secretário Robinson Barreirinhas prestem esclarecimentos no Senado sobre operação da PF que apura vazamento de dados do STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Parlamentar do DF não foi alvo da operação

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que Adriano Marrocos, um dos investigados pelo desvio de verbas de emendas parlamentares, tem relação próxima com o senador Izalci Lucas (PSDB-DF).

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O parlamentar destinou R$ 7,5 milhões à Associação Moriá, que promoveu o Circuito de Jogos Digitais no Distrito Federal. Ao todo, em 2023, Izalci repassou R$ 9,4 milhões a quatro associações.

Apesar do vínculo apontado, a PF não identificou conversas entre o senador e os investigados sobre o repasse. Izalci também não foi alvo da Operação Korban, deflagrada na terça-feira (29), por ordem do ministro Flávio Dino.

A operação apura o desvio de R$ 13,2 milhões por meio da contratação de empresas terceirizadas e sobrepreço de produtos. Marrocos, ex-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do DF, é descrito pela PF como a “força política da Moriá”.

Segundo os investigadores, Marrocos e Izalci “aparentemente nutrem uma relação bastante próxima”, com registros de participação conjunta em ao menos dez eventos parlamentares nos últimos 14 anos.

O relatório sugere que Marrocos teria atuado como lobista junto ao senador, influenciando a destinação dos recursos. A Controladoria-Geral da União informou que cerca de 90% dos valores recebidos pela Moriá foram repassados a empresas terceirizadas.

Duas dessas empresas seriam ligadas a Marrocos e sua esposa, incluindo o escritório de contabilidade do casal e a Alphatec, da qual foram sócios até julho de 2024.

A PF detalha que os desvios ocorriam por meio de acordos fraudulentos entre a Moriá e empresas escolhidas, com sobrepreço nos contratos.

Como medida cautelar, Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 25 milhões em bens dos investigados.

Em nota, a Moriá afirmou que foi “surpreendida pela busca e apreensão” e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

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