Parlamentar do DF não foi alvo da operação
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que Adriano Marrocos, um dos investigados pelo desvio de verbas de emendas parlamentares, tem relação próxima com o senador Izalci Lucas (PSDB-DF).
O parlamentar destinou R$ 7,5 milhões à Associação Moriá, que promoveu o Circuito de Jogos Digitais no Distrito Federal. Ao todo, em 2023, Izalci repassou R$ 9,4 milhões a quatro associações.
Apesar do vínculo apontado, a PF não identificou conversas entre o senador e os investigados sobre o repasse. Izalci também não foi alvo da Operação Korban, deflagrada na terça-feira (29), por ordem do ministro Flávio Dino.
A operação apura o desvio de R$ 13,2 milhões por meio da contratação de empresas terceirizadas e sobrepreço de produtos. Marrocos, ex-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do DF, é descrito pela PF como a “força política da Moriá”.
Segundo os investigadores, Marrocos e Izalci “aparentemente nutrem uma relação bastante próxima”, com registros de participação conjunta em ao menos dez eventos parlamentares nos últimos 14 anos.
O relatório sugere que Marrocos teria atuado como lobista junto ao senador, influenciando a destinação dos recursos. A Controladoria-Geral da União informou que cerca de 90% dos valores recebidos pela Moriá foram repassados a empresas terceirizadas.
Duas dessas empresas seriam ligadas a Marrocos e sua esposa, incluindo o escritório de contabilidade do casal e a Alphatec, da qual foram sócios até julho de 2024.
A PF detalha que os desvios ocorriam por meio de acordos fraudulentos entre a Moriá e empresas escolhidas, com sobrepreço nos contratos.
Como medida cautelar, Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 25 milhões em bens dos investigados.
Em nota, a Moriá afirmou que foi “surpreendida pela busca e apreensão” e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
