Empresário foragido e máquinas milionárias expõem rede que usava fachada industrial para financiar o crime organizado
A Polícia Federal descobriu uma fábrica clandestina de fuzis de uso restrito que operava sob a fachada de uma empresa aeroespacial em Santa Bárbara d’Oeste (SP).
A investigação revelou que a Kondor Fly Parts Indústria e Comércio de Peças Aeronáuticas, registrada como produtora de peças para aviação, servia como base para a fabricação em larga escala de armamentos do tipo Colt/AR-15.
A empresa pertence a Gabriel Carvalho Belchior, de 42 anos, acusado de ceder o espaço e o maquinário de alta precisão, avaliados em mais de R$ 2 milhões, para que o grupo operasse durante as madrugadas.
De acordo com o inquérito, os criminosos alegavam estar produzindo “protótipos aeronáuticos”, mas na prática usinavam receptores, gatilhos, canos e peças metálicas de fuzis.
A operação da PF resultou na prisão em flagrante de Anderson Custódio Gomes e Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, responsáveis pela programação das máquinas e pela execução das peças.
Também foram denunciados por organização criminosa e comércio ilegal de armas o empresário Belchior e Wendel dos Santos Bastos, apontado como o elo logístico e financeiro do esquema.

No momento da ação, agentes apreenderam 35 conjuntos de fuzis, dois silenciadores e dezenas de caixas com peças em diferentes estágios de montagem.
O material era finalizado e armazenado em um depósito em Americana (SP), de onde seguia para o Rio de Janeiro e estados do Nordeste, onde abastecia facções e milícias.
Laudo da PF sobre a fábrica cladestina
Segundo o laudo, o grupo operava com estrutura profissional, contratos formalizados e notas fiscais assinadas pelo próprio Belchior, que agora está foragido e procurado pela Interpol. Bastos também segue em liberdade.
O caso tramita na 1ª Vara Criminal de Americana, sob responsabilidade do delegado Jeferson Dessotti Cavalcante Di Schiavi, que autuou os envolvidos com base na Lei de Organização Criminosa e no Estatuto do Desarmamento.
