PF e PGR priorizam crimes financeiros de Vorcaro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF e PGR priorizam crimes financeiros de Vorcaro antes de políticos

Investigadores querem concluir primeira fase do caso Banco Master antes de ampliar apuração

Master foi primeiro banco a aderir à guerra de Lula contra o dólar
Foto: Divulgação

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Por Redação

Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) responsáveis pelo caso do Banco Master decidiram priorizar, neste primeiro momento, os inquéritos sobre crimes financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro antes de avançar na apuração de menções a políticos.

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Segundo reportagem do Estadão, a avaliação das equipes é que ampliar o escopo da investigação neste estágio pode prejudicar o foco inicial do caso, que apura suspeitas de irregularidades na venda do Banco Master ao Banco de Brasília.

Nesse contexto, o vazamento de informações extraídas do celular de Vorcaro — que haviam sido compartilhadas com a CPMI do INSS — gerou desconforto entre investigadores. Segundo integrantes da apuração, a divulgação antecipada de nomes de possíveis investigados pode prejudicar o andamento das diligências e até permitir a destruição de provas.

Também há preocupação de que a exposição pública crie pressão externa sobre os órgãos responsáveis pela investigação, que defendem a condução do caso com base em critérios técnicos e no tempo necessário para coleta de provas.

De acordo com investigadores, os crimes financeiros analisados são complexos, mas já há elementos que indicariam irregularidades em operações envolvendo o BRB e possível desvio de recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de familiares.

A meta das equipes é concluir os primeiros inquéritos sobre crimes financeiros ainda no primeiro semestre deste ano. Uma das prioridades apontadas é tentar recuperar parte do prejuízo financeiro causado pelas operações investigadas.

Somente após essa etapa concluída é que as menções a suspeitas de corrupção envolvendo políticos podem passar a ser analisadas em uma nova fase da investigação. Até agora, nenhum inquérito foi solicitado ao Supremo Tribunal Federal com foco em parlamentares ou outras autoridades políticas.

Diálogos atribuídos a Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, revelados na semana passada, também não fazem parte da investigação neste momento. Segundo os investigadores, o conteúdo extraído do celular do banqueiro não apresenta, até agora, indícios de crime por parte do magistrado.

Entre os cuidados apontados pelas equipes está evitar erros atribuídos a investigações da Operação Lava Jato, como a ampliação simultânea de diversas linhas de apuração e a inclusão de políticos sem provas suficientes.

O cronograma pode mudar caso surjam novos elementos durante a investigação. Uma eventual decisão do relator do caso no STF, André Mendonça, ou uma possível delação premiada de envolvidos, incluindo o próprio Vorcaro, também poderia antecipar a apuração sobre políticos.

Apesar da divergência entre PF e PGR sobre a necessidade de prisão de Vorcaro e de aliados, investigadores dos dois órgãos avaliam que a relação institucional permanece estável.

As manifestações do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos autos do inquérito indicaram divergência maior com o relator do caso do que com a Polícia Federal.

As duas instituições seguem atuando em conjunto nas apurações e trocando informações. Em uma das medidas consideradas sensíveis, a entrega do relatório da PF sobre menções ao ministro Dias Toffoli foi previamente comunicada à PGR antes do envio ao STF.

Como o Supremo decidiu arquivar o relatório, investigadores avaliam que o tema foi encerrado. As menções a Toffoli só poderiam voltar ao foco da investigação caso surjam novos elementos de prova.

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