Para a Polícia, não há provas de ações efetivas de Zambelli; PGR decidirá próximos passos
A Polícia Federal concluiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) não atuou para coagir ministros do STF ou atrapalhar processos criminais durante sua estadia na Itália. Com base nisso, a parlamentar foi livrada de indiciamento.
O relatório foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República. A PGR terá 15 dias para decidir sobre eventual denúncia.
Segundo a PF, embora Zambelli tenha verbalizado intenção de atrapalhar o processo, não há provas de ações concretas para isso.
“Embora a intenção de frustrar a aplicação da lei penal tenha sido verbalizada, o comportamento de Carla Zambelli, salvo melhor juízo, não ultrapassou o campo da retórica, inexistindo prova de efetivo êxito na adoção de expedientes, contatos, articulações ou providências aptas a comprometer o regular andamento de ação penal”, afirmou o relatório.
A investigação foi aberta em junho a pedido de Moraes. Ele determinou que a PF ouvisse a deputada por escrito, já que estava fora do país, e solicitou detalhes de PIX recebidos nos 30 dias anteriores. A suspeita era de coação no curso do processo e obstrução de investigação relacionada a organização criminosa.
Carla cumpre prisão na Itália enquanto aguarda definição sobre possível extradição. A Câmara também analisa a cassação de seu mandato.
CCJ da Câmara ouve Zambelli hoje

Zambelli será ouvida por videoconferência nesta quarta-feira (24) pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, no processo que pode resultar na perda de seu mandato por condenação criminal.
A deputada está presa na Itália desde julho e aguarda julgamento do pedido de extradição para o Brasil. Ela foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, em conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto, e recebeu nova condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
O processo de cassação tramita paralelamente na CCJ, onde Zambelli já participou de audiência por vídeo, mantendo trocas de acusações com Delgatti Neto.
