O atraso da Polícia Federal na deflagração da 2ª fase da Operação Compliance Zero quase permitiu que um dos investigados do caso do Banco Master deixasse o Brasil antes de ser preso, segundo matéria do Poder360. A falha ocorreu após a corporação optar por um trâmite burocrático de comunicação com o Supremo Tribunal Federal (STF), em vez de contato direto com o relator do processo.
Em despacho datado de 13 de janeiro, o ministro Dias Toffoli registrou que havia enviado à PF, em 6 de janeiro, a documentação relativa à nova fase da investigação. No dia seguinte, determinou o cumprimento das medidas no prazo de 24 horas, a partir de 12 de janeiro, diante da gravidade dos fatos.
Apesar disso, a operação só foi realizada na manhã de 14 de janeiro. O atraso levou Toffoli a cobrar explicações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sobre o não cumprimento integral das ordens judiciais no prazo estipulado.
Na noite de 13 de janeiro, agentes federais identificaram que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tinha embarque marcado para Dubai por volta das 5h do dia seguinte. A saída do país inviabilizaria medidas como a apreensão de celular e outros elementos de prova.
Mesmo diante da urgência, a PF não telefonou nem enviou mensagem direta ao relator. Às 19h13, protocolou apenas um pedido de prisão no sistema eletrônico do STF. Segundo a avaliação de Toffoli, a opção por esse caminho poderia resultar na ausência de decisão a tempo, permitindo a viagem do investigado.
Servidores do gabinete do ministro identificaram o pedido no sistema e acionaram Toffoli por telefone. O magistrado determinou a um juiz auxiliar a expedição imediata de mandado de prisão temporária, cumprido na manhã seguinte, antes do embarque de Zettel.
Na resposta enviada ao STF, Andrei Rodrigues afirmou que o atraso ocorreu por “circunstâncias estritamente operacionais, alheias a qualquer intenção de descumprimento de ordem judicial”. O diretor-geral sustentou que havia informado previamente o gabinete do ministro sobre a impossibilidade de cumprir o prazo, por ligação telefônica e mensagem de WhatsApp.
Toffoli, contudo, destacou que não recebeu comunicação formal no próprio dia 13 de janeiro, data fixada para a deflagração da operação. Também apontou o risco assumido pela corporação ao tratar de forma protocolar uma situação que envolvia possível fuga internacional.
O episódio acirrou a desconfiança entre o relator e a PF. Diante do contexto, Toffoli determinou inicialmente que todo o material apreendido fosse lacrado e mantido sob guarda do STF. Posteriormente, atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República para que as provas ficassem no Ministério Público Federal, sem deixar de registrar críticas à atuação da Polícia Federal e do Banco Central.
Na sequência, o ministro decidiu indicar peritos de sua confiança dentro da PF para analisar os celulares e demais provas do caso Master, com acompanhamento da PGR.
