PF aponta que sogra de Daniel Vilela comandava esquema de migração ilegal para os EUA
Brasília, Sábado, 27 de junho de 2026
Política

PF aponta que sogra de Daniel Vilela comandava esquema de migração ilegal para os EUA

Investigação indica que grupo cobrava até US$ 20 mil por travessia clandestina e movimentou R$ 45 milhões em cinco anos

Maria Helena de Sousa Netto Costa
Maria Helena de Sousa Netto Costa. Foto: Reprodução/Instagram de Fro Petit

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Por Redação

A Polícia Federal (PF) aponta que a empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, sogra do vice-governador de Goiás Daniel Vilela, teria atuado na coordenação de um esquema internacional de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos.

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Ela foi presa em Goiânia na quinta-feira (7), durante operação contra organizações suspeitas de promover travessias clandestinas pela América Central.

Segundo a investigação, o grupo oferecia um “pacote completo” para entrada ilegal em território norte-americano, incluindo compra de passagens aéreas, articulação com coiotes, suporte logístico e assistência jurídica para imigrantes detidos durante o trajeto.

De acordo com a PF, cada brasileiro pagava cerca de US$ 20 mil para realizar a travessia. Os investigadores estimam que ao menos 477 pessoas tenham sido levadas ilegalmente aos Estados Unidos entre 2018 e 2023, embora o número real possa ser maior. Apenas o núcleo atribuído a Maria Helena teria participado da migração clandestina de 155 pessoas.

As apurações indicam que o esquema operava de maneira estruturada há mais de duas décadas, com ramificações em diferentes estados brasileiros e também no exterior. Integrantes da organização seriam responsáveis pela recepção dos migrantes, transporte, intermediação financeira e travessias por países como México e Panamá.

Quebras de sigilo telefônico e bancário apontam que os cinco grupos investigados movimentaram aproximadamente R$ 240 milhões no período analisado. Segundo a PF, cerca de R$ 45 milhões teriam passado pelo núcleo ligado à empresária.

A investigação começou em 2022, após brasileiros serem abordados no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Durante os depoimentos, o nome de Maria Helena foi citado pelos migrantes.

Áudios obtidos pela TV Anhanguera e incorporados ao inquérito mostram a investigada relatando experiência em conseguir a liberação de brasileiros presos nos Estados Unidos durante tentativas de travessia ilegal.

“Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro”, afirma em uma das gravações atribuídas à empresária.

Em outra conversa, ela orienta familiares de um migrante detido a não pressionarem os responsáveis pela travessia para evitar que o grupo fosse entregue às autoridades de imigração.

A PF também identificou comprovantes de transferências bancárias associadas ao pagamento das viagens. Segundo os investigadores, a organização custeava despesas iniciais, como passagens aéreas, que posteriormente eram cobradas dos migrantes.

Os investigados poderão responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.

Além das prisões realizadas em Goiânia, dois suspeitos apontados como líderes de outros núcleos criminosos seguem foragidos no Amapá e foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol.

Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou que recebeu a prisão com “surpresa” e classificou a medida como desnecessária. Os advogados sustentam que não há elementos para justificar a prisão preventiva e afirmam aguardar acesso integral ao processo.

Já Vilela declarou que o caso não possui qualquer relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás. Segundo o vice-governador, os fatos investigados remontam aos anos 2000 e antecedem sua atuação no atual mandato.

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