O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (26) que o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de defesa diante do atual cenário internacional e voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano). Durante discurso em Itajaí (SC), Lula mencionou declarações do chefe da Casa Branca sobre a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá e afirmou que o mundo vive um momento de crescente instabilidade.
“Eu não quero guerra, mas também não quero ser pego de surpresa. […] Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar estado dele. Quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, declarou.
A fala ocorreu durante a cerimônia de lançamento ao mar e batismo da fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, projeto de renovação da frota da Marinha.
Ao defender mais investimentos para as Forças Armadas, Lula afirmou que a política de defesa passará a integrar seu programa de governo para a campanha à reeleição. Segundo o presidente, o país precisa adotar um planejamento estratégico de longo prazo, em vez de apenas substituir equipamentos antigos.
“Não é possível que a gente não coloque a defesa como uma coisa extremamente urgente e prioritária. A gente não pode discutir defesa apenas repondo aquilo que estragou. É preciso definir que país queremos construir e qual defesa será necessária para protegê-lo”, disse.
O presidente também afirmou que o Brasil não pretende entrar em conflitos, mas precisa estar preparado para proteger seu território e sua população.
“Nós não queremos briga com ninguém, não queremos invadir ninguém, não queremos guerra com ninguém, mas estaremos preparados para defender os nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 215 milhões de habitantes”, afirmou.
Durante o discurso, Lula argumentou que o mundo atravessa o período de maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e defendeu que o fortalecimento da defesa nacional faz parte da estratégia para garantir a soberania brasileira.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
As declarações ocorrem em um momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington. Nas últimas semanas, os dois países intensificaram divergências comerciais após o governo Trump anunciar a intenção de impor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros.
Outro fator que elevou o desgaste foi a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a medida pode ampliar a margem para futuras ações americanas envolvendo segurança internacional.
