PF aponta emendas de Bezerra e filho para empresa de familiares
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF aponta emendas de Bezerra e filho para empresa de familiares

Operação mira família Coelho por suspeita de desvio e fraude em Petrolina

Polícia Federal afirma que Fernando Bezerra e Fernando Coelho Filho direcionaram emendas a empresa ligada a familiares; operação apura fraude e desvio em Petrolina

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Polícia Federal afirmou que o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) direcionaram emendas parlamentares para contratos firmados por empresa ligada a familiares. A informação consta em representação enviada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Os dois, além do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (25).

Segundo a PF, foi identificado que “o núcleo político capitaneado pelos Coelho” teria atuado junto à unidade regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e à Prefeitura de Petrolina para direcionar recursos públicos, por meio de termos de execução descentralizada e emendas parlamentares, a empresa com vínculo familiar.

A empresa investigada é a Liga Engenharia. De acordo com a corporação, a construtora firmou volume elevado de contratos com o poder público, com indícios de favorecimento e desvio. A PF aponta que a empresa saiu da 27ª posição em contratos com a prefeitura em 2017 para a primeira colocação em 2024.

“Todas as informações acima acerca de contratações da LIGA ENGENHARIA pela CODEVASF e pelo Município de Petrolina, com intervenção direta ou indireta de FERNANDO BEZERRA COELHO e/ou de FERNANDO FILHO, assumem contornos criminosos quando se verifica que a aludida construtora é de propriedade de não apenas um, mas dois familiares ‘por afinidade’ dos políticos”, afirma a representação.

Um dos sócios da empresa é filho do cunhado de Fernando Bezerra Coelho. O outro é cunhado de um sobrinho do ex-senador.

A PF também citou investigação anterior, a Operação Desintegração, deflagrada em 2022, que apurou suposto recebimento de vantagens indevidas por parlamentares ligadas a obras do Ministério da Integração Nacional, quando Bezerra era ministro.

Mensagens e estrutura

Entre os elementos reunidos, a PF menciona troca de mensagens, em fevereiro de 2019, entre Fernando Coelho Filho e Miguel Coelho. O então prefeito solicitou o endereço do deputado em Brasília para repassar a um dos sócios da empresa.

Os investigadores afirmam ser “no mínimo estranho” que o parlamentar receba em sua residência empresário beneficiado por recursos indicados por ele.

Na representação, a PF descreve quatro “pilares estruturais” do suposto esquema: controle da prefeitura de Petrolina; influência junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional e à Codevasf; envio de recursos federais por meio de emendas; e direcionamento das contratações para empresa de familiares, com possível retorno de valores.

Segundo a investigação, foram registradas três emendas de Fernando Bezerra Coelho, em 2021, que somam R$ 43 milhões. Em 2023, a PF identificou duas emendas de Fernando Coelho Filho, no valor de R$ 1,9 milhão.

“Apesar de constar coluna indicando o ‘valor realizado’, não há menção ao procedimento licitatório, instrumento contratual ou favorecido pelo pagamento, tampouco ao convênio por meio do qual ocorreu o repasse”, diz o documento.

Obra de R$ 22 milhões

Em setembro do ano passado, a Prefeitura de Petrolina inaugurou a primeira etapa da Orla 3, às margens do Rio São Francisco. Parte da obra foi custeada com R$ 22 milhões enviados em 2021 por emenda do então senador Fernando Bezerra Coelho.

Para viabilizar o repasse, foi firmado convênio entre a prefeitura e a Codevasf. O chefe regional da companhia à época havia atuado como assessor de Bezerra no Congresso.

O advogado André Callegari, que representa Fernando Bezerra Coelho e Fernando Coelho Filho, informou que ainda não teve acesso à decisão judicial.

“Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. A defesa já solicitou acesso aos autos, para que, assim, possa se manifestar no processo”, declarou.

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