A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar se o Grupo Fictor cometeu crimes contra o sistema financeiro nacional. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial nesta semana e havia apresentado, em novembro do ano passado, uma proposta para adquirir o Banco Master.
A investigação apura suspeitas de “gestão fraudulenta”, “apropriação indébita financeira”, “emissão de títulos sem lastro, equiparados a valores mobiliários” e “operação de instituição financeira sem autorização”.
Em 18 de novembro de 2025, a PF deflagrou operação contra o Master, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição. Em depoimento, Vorcaro afirmou que negociava a venda do banco ao Grupo Fictor em parceria com investidores árabes.
O Master foi posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC), sob suspeita de fraude financeira e falta de garantias aos produtos oferecidos no mercado. Vorcaro sustenta que a liquidação foi precipitada, uma vez que a venda ao Fictor seria concretizada no mesmo dia da liquidação.
No pedido de recuperação judicial apresentado no domingo (1º), o Fictor atribuiu sua crise de liquidez ao episódio envolvendo o Master. A empresa de Rafael Góis afirmou que a repercussão negativa na imprensa após a tentativa de aquisição impactou diretamente suas operações.
Segundo o grupo, o episódio provocou desequilíbrio nos fluxos financeiros e levou à rescisão de contratos com fornecedores. A empresa declarou dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões. O pedido de recuperação judicial foi aceito na segunda (02).
Ao Tribunal de Justiça de São Paulo, a Fictor informou que as notícias publicadas em dezembro afetaram o valor de mercado do grupo. As ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, caíram cerca de 50% entre 17 de novembro e 1º de fevereiro.
