A FUP (Federação Única dos Petroleiros) convocou, nesta quinta-feira (13), uma greve de advertência de 24 horas na Petrobras, marcada para o dia 26 de março. A paralisação é resposta à decisão da estatal de impor mudanças no regime de home office, sem negociação com os trabalhadores. O movimento foi aprovado em assembleias e cobra que a empresa negocie um modelo híbrido com regras formalizadas em acordo coletivo.
Os petroleiros reclamam que o governo Lula, por meio da direção da Petrobras, ignora as pautas dos trabalhadores e adota medidas que impactam diretamente suas condições de vida e trabalho. Desde janeiro, a categoria já havia aprovado estado de greve, após a estatal anunciar o aumento do número de dias presenciais sem dialogar com os sindicatos.
Na terça-feira (11), houve reunião entre a FUP e a direção da Petrobras no Rio de Janeiro. Segundo a federação, a estatal manteve a proposta anterior e se recusou a negociar qualquer alteração no teletrabalho. A decisão revoltou os trabalhadores, que agora se mobilizam para a paralisação nacional.
Além do home office, a pauta da greve inclui protesto contra a redução da remuneração variável, o corte de efetivo, a falta de segurança nas operações e a situação da Fafen-PR (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná). Também exigem o fim dos equacionamentos da Petros, que impõem descontos nos salários de ativos, aposentados e pensionistas, e a criação de um plano de cargos e salários justo.
O Poder360 questionou a Petrobras sobre a paralisação por meio de e-mail, enviado às 22h12 desta quinta-feira (13). Até a publicação deste texto, não houve resposta. Caso haja manifestação, o conteúdo será atualizado.
A decisão que detonou a crise foi tomada pela direção da Petrobras em 9 de janeiro. A estatal anunciou que aumentaria de dois para três os dias de trabalho presencial, reduzindo o home office de três para dois dias por semana. A medida exclui apenas PCDs (pessoas com deficiência) e pais de PCDs. A mudança gerou forte reação dos sindicatos.
A FUP acusa a estatal de implementar a alteração sem qualquer diálogo. “Sem negociação com as entidades sindicais ou consulta à categoria”, diz a entidade. Segundo a federação, a medida “desestrutura famílias e abala a saúde mental” dos trabalhadores.
Leia a íntegra da nota da FUP:
“O Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), reunido nesta quarta-feira, 12, decidiu convocar uma greve de advertência em defesa da melhoria das condições de trabalho e pelo respeito às negociações coletivas.
A convocação da paralisação nacional, que será realizada por 24 horas no próximo dia 26, será submetida à aprovação da categoria.
A pauta de reivindicações inclui a defesa do teletrabalho com regramento negociado coletivamente, a oposição à redução da remuneração variável dos trabalhadores, a recomposição dos efetivos, a garantia de segurança em todo o Sistema Petrobras, nas prestadoras de serviço e durante o período de manutenção e entrada em operação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), o fim dos equacionamentos da Petros (descontos abusivos da empresa no contracheque dos ativos, aposentados e pensionistas) e a criação de um plano de cargos e salários justo e isonômico.
Na terça-feira, 11, dirigentes da FUP e representantes da Petrobras estiveram reunidos na sede da empresa, no Rio, para tratar da negociação sobre o teletrabalho. As partes não chegaram a um acordo, até porque a Petrobras manteve a sua proposta anterior.”
