A Operação Overclean, conduzida pela Polícia Federal para apurar desvios de emendas parlamentares e fraudes em licitações, chegou à nona fase. Segundo a PF, R$ 271,7 milhões foram bloqueados por determinação do Supremo Tribunal Federal em três etapas da investigação, que tramita sob sigilo.
De acordo com os investigadores, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas em diferentes estados.
Em abril de 2025, a PF deflagrou uma fase de grande impacto, com buscas e apreensões em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju. Um dos principais alvos foi o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, então integrante da executiva nacional do União Brasil. À época, ele negou irregularidades.
As apurações indicam que Moura atuaria como articulador político do esquema, usando influência para destravar contratos e liberar pagamentos. Na mesma etapa, o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado do cargo por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, sob suspeita de obstrução de Justiça. Barral havia sido indicado em abril de 2024, no contexto de uma aliança entre PSD e União Brasil.
Em maio, na terceira fase da Overclean, a PF apreendeu R$ 120,8 mil em espécie, além de relógio de luxo, joias e aparelhos eletrônicos na residência de Barral. As investigações apontam relação próxima entre o secretário e Marcos Moura, preso preventivamente na primeira fase, em 2024, e solto posteriormente.
Em junho, a PF realizou uma etapa voltada à liberação de emendas. Dois prefeitos da Bahia foram afastados, e um assessor do deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) foi apontado como operador financeiro do esquema. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira.
Ao longo da investigação, surgiu a citação ao deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA), o que levou o caso ao STF. A PF encontrou, no cofre de Marcos Moura, uma escritura de compra e venda de imóvel de empresa para Elmar. O parlamentar não foi alvo de fases da operação e nega envolvimento.
A apuração, porém, atingiu familiares do deputado. O irmão Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso (BA), foi alvo de buscas em julho do ano passado. O primo Francisco Manoel do Nascimento Neto, o Francisquinho Nascimento (União Brasil), vereador eleito no município, também foi alvo; em etapa anterior, arremessou uma sacola com R$ 220 mil pela janela antes de ser preso.
Em outubro, o deputado Dal Barreto (União Brasil-BA) foi abordado no aeroporto de Salvador e teve o celular apreendido. No mesmo mês, a PF mirou o secretário nacional do Podemos, Luiz França.
A Overclean teve início a partir da apuração de desvios de emendas destinadas ao Dnocs e da atuação de empresários junto a agentes públicos para destravar contratos. A PF sustenta que o esquema envolvia propina, lavagem de dinheiro e uso sistemático de influência política, com ramificações no Centrão e no entorno familiar de parlamentares.
