O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, alertou nesta quarta-feira (15) que Brasil, China e Índia enfrentam risco de sanções secundárias caso mantenham laços comerciais com a Rússia, sobretudo se as negociações de paz com a Ucrânia não avançarem.
As sanções secundárias são penalidades impostas a países ou empresas que negociam com nações já sancionadas com o intuito de pressionar economicamente quem sustenta a Rússia, mesmo sem envolvimento direto no conflito. Rutte destacou que a continuidade do comércio com Moscou pode ser interpretada como apoio à guerra, o que justificaria medidas restritivas contra esses países.
“Se a Rússia não levar a sério as negociações de paz, em 50 dias ele [Donald Trump] aplicará sanções secundárias a países como Índia, China e Brasil. Meu incentivo e da Otan para esses três países em particular é que você pode querer dar uma olhada nisso, porque pode te atingir muito forte”, afirmou.
O alerta da OTAN foi feito durante uma reunião no Congresso dos EUA, um dia após o presidente Donald Trump anunciar o envio de novas armas à Ucrânia e ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos russos. Aliados do presidente russo, porém, criticaram o americano e chamaram a ameaça de “teatral”.
Os países mencionados por Rutte são os fundadores do Brics, grupo de economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No início de julho, os líderes do grupo se reuniram no Rio de Janeiro para fortalecer o bloco frente à política tarifária agressiva de Trump.
Trump já havia ameaçado os países do Brics na terça-feira (8), afirmando que o bloco seria submetido a uma tarifa de 10% “muito em breve” por tentar, segundo ele, enfraquecer os EUA e substituir o dólar como moeda padrão global. “Qualquer país que fizer parte do Brics receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”, disse Trump.
Em novembro do ano passado, ele já havia condicionado os países do grupo a não apoiarem a criação de uma nova moeda para substituir o dólar, sob pena de serem submetidos a tarifas de 100%.
