Operação que prendeu Deolane também atinge família de Marcola
Brasília, Domingo, 05 de julho de 2026
Justiça

Operação que prendeu Deolane também atinge família de Marcola

Investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC atinge Deolane, irmão e sobrinhos de Marcola

Defesa de Marcola pede aplicação de decisão do STF que permitiu a Daniel Vorcaro conversar com advogados sem monitoramento na Penitenciária Federal de Brasília
Foto: Republicação

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Por Redação

A Operação Vérnix, que levou à prisão da advogada e influencer Deolane Bezerra nesta manhã (21), também atingiu diretamente a cúpula familiar de Marcola, o principal chefe do PCC. Investigação do MP-SP identificou uma estrutura usada para lavar dinheiro da facção por meio de empresas, movimentações patrimoniais e operadores financeiros ligados ao grupo narcoterrorista.

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A ação da Polícia Civil e do Ministério Público de SP desta quinta é resultado de uma investigação iniciada em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes com presos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelavam detalhes sobre a estrutura interna do PCC, liderança da organização e possíveis planos de ataques contra agentes públicos.

Durante a investigação, agentes encontraram referência a uma “mulher da transportadora”, suspeita de levantar endereços de servidores públicos para auxiliar ações do grupo. A partir daí, a Polícia Civil chegou a uma transportadora em Presidente Venceslau que, segundo a investigação, funcionava como braço financeiro do maior grupo narcoterrorista brasileiro.

A 2ª fase da apuração, batizada de “Operação Lado a Lado” e deflagrada em 2021, revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e o uso da empresa para lavagem de dinheiro do PCC. Na ocasião, a análise de celulares apreendidos identificou indícios de repasses financeiros para Deolane e vínculos dela com um dos chamados “gestores fantasmas” da transportadora investigada.

Segundo os investigadores, Deolane passou a ocupar posição central no esquema após a identificação de movimentações milionárias, patrimônio incompatível e supostas conexões com integrantes da cúpula do PCC. Investigação aponta recebimentos sem origem esclarecida, aquisição de bens de luxo e circulação de grandes quantias de dinheiro.

Para as autoridades, a exposição pública da influenciadora e suas atividades empresariais ajudariam a dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos do PCC, dificultando o rastreamento da origem criminosa do dinheiro.

Além de Deolane, a operação teve como alvos Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos do líder do PCC; e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização.

Segundo a investigação, Everton aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição de dinheiro e indicando contas bancárias usadas pelo grupo.

Paloma, apontada como intermediária nos negócios da família de Marcola, foi presa na Espanha. Leonardo, identificado como destinatário de recursos lavados da organização, é alvo de mandado de prisão e estaria na Bolívia. Marcola e Alejandro, ambos presos no sistema penitenciário federal em Brasília, foram notificados sobre novas ordens de prisão preventiva.

A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados, além do sequestro de 17 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados ao grupo.

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