Observatório do Clima diz que Ibama desrespeita recomendações técnicas e compromete o meio ambiente
O Observatório do Clima, rede que reúne mais de 90 organizações ambientalistas, anunciou que entrará com uma ação judicial contra a decisão do Ibama que autorizou a Petrobras a perfurar um poço exploratório de petróleo na Margem Equatorial, região norte da costa brasileira.
O grupo afirma que a licença foi concedida “sem o devido respaldo técnico” e representa “um retrocesso” na política ambiental do país.
Em nota divulgada neste domingo (20), a entidade acusa o governo federal de ceder a pressões políticas e econômicas em detrimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil em acordos internacionais. “É uma decisão que ignora alertas técnicos e o risco ambiental de uma região extremamente sensível”, diz o texto.
O projeto da Petrobras prevê a perfuração de um poço a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma zona de biodiversidade considerada frágil.
O Ibama, por sua vez, defende que a autorização foi concedida após “análises criteriosas” e cumprimento das condicionantes ambientais exigidas.

Foto: Petrobras
Em nota, o órgão informou que a Petrobras apresentou estudos complementares e planos de contingência revisados, o que teria garantido a viabilidade técnica e ambiental da operação.
Integrantes do Observatório do Clima afirmam que recorrerão à Justiça Federal para suspender a licença. “Não se trata apenas de uma perfuração, mas de uma decisão estratégica que compromete o futuro climático do país”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo da organização.
A Petrobras declarou que seguirá todos os protocolos ambientais e que a perfuração visa avaliar o potencial energético da região, sem impacto imediato sobre a produção.
Entre os principais financiadores do Observatório do Clima estão o Instituto Clima e Sociedade (iCS), Climate and Land Use Alliance, Rainforest Foundation Norway, Fastenaktion, Packard Foundation, Global Methane Hub, Earth Alliance (ligada à Re:Wild), Open Society Foundations (ligada a George Soros), European Climate Foundation, Porticus e Energy Transition Fund. Essas organizações financiam as ações do OC em defesa de políticas ambientais e climáticas no Brasil.