Parlamentares ligados ao MST desembarcaram na China, visitaram universidades, plantas industriais e se reuniram com Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco do BRICS. Em matéria publicada pelo site de esquerda Brasil de Fato, a comitiva diz que o objetivo da viagem é conhecer a ‘produção de bioinsumos e a mecanização da agricultura familiar’.
Estão por lá os deputados Marina do MST (PT-RJ), Rosa Amorim (PT-PE), Mauro Rubem (PT-GO) e Missias do MST (PT-CE), além dos vereadores Edilson do MST (PT-PE) e Tito do MST (PT-PA). “Estamos negociando a produção nacional com tecnologia chinesa. Queremos reconstruir a base industrial para a agricultura camponesa no Brasil”, diz Marina, que se reuniu com representantes da Sinomach Digital.
No fim do ano passado, o grupo recebeu 80 máquinas agrícolas doadas pelo fabricante chinês e criou na UnB um ‘Centro de Pesquisa’ binacional.
Tanto a mecanização da agricultura familiar como a produção de bioinsumos são políticas prioritárias do Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandado pelo petista Paulo Teixeira, cuja primeira missão internacional como ministro foi à China. E assim como fez o ministro, os parlamentares que lá estão também devem se reunir com representantes do Comitê Central do Partido Comunista da China.
Considerando que o MST não tem CNPJ para pegar empréstimo no Banco dos BRICS e nem mandato para representar os agricultores familiares, que devem poder comercializar sua produção sem intermediários; fica a dúvida se o grupo está sendo instrumentalizado no novo contexto geopolítico, considerando que Nicolás Maduro resolveu destinar 180 mil hectares para o grupo na Venezuela, um dia depois de Lula ter anunciado repasse de R$ 750 milhões.
Não podemos esquecer que o MST perdeu seu discurso quando o governo de Jair Bolsonaro distribuiu mais de 400 mil títulos de terra a produtores. Em 2023, a CPI dos sem-terra mostrou que muitos assentamentos são fake e que, em vários, há exploração do trabalho de pessoas humildes, com pagamento de pedágio, ameaças e agressões. Revelou também que terras obtidas pela reforma agrária geralmente são arrendadas a terceiros e que, nos poucos assentamentos produtivos, a taxa de eficiência é baixíssima.
O Congresso precisa questionar o real motivo dessa visita, quem está pagando a estadia e que compromissos estão sendo firmados.
