"O político honesto não está dentro de mim"... nem no seu governo
Brasília, Quarta, 24 de junho de 2026
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“O político honesto não está dentro de mim”… nem no seu governo

Lula silencia sobre Jaques Wagner
Foto: Divulgação/PT

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Por Claudio Dantas

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva soltou ontem a pérola capturada com deleite pela imprensa — “o político honesto não está dentro de mim” —, Brasília respirou aliviada. Finalmente, um arroubo de absoluta e cristalina franqueza no terceiro andar do Palácio do Planalto. E, convenhamos, a autocrítica presidencial nunca foi tão cirúrgica: basta dar uma rápida olhada na escalação do seu núcleo duro para constatar que o “político honesto”, de fato, passou longe do crachá de acesso ao governo.

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Se a honestidade não habita o presidente, ela certamente também não faz quarentena no gabinete do líder do governo no Senado. O silêncio sepulcral de Lula sobre o envolvimento de Jaques Wagner no escândalo do Banco Master é a prova de que, na atual gestão, a ética é um conceito totalmente elástico.

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Afinal, por que afastar um líder governista apenas porque a Polícia Federal descobriu que ele supostamente recebeu de um ex-sócio do Master um apartamento de R$ 2,45 milhões, voos na faixa, ingressos para shows internacionais e um troco de R$ 5,5 milhões repassados a uma empresa da família? Na lógica peculiar de Brasília, isso não é motivo para demissão; é quase um selo de eficiência.

Wagner permanece intocável, despachando como se o inquérito fosse apenas uma ficção literária, garantindo os interesses do Planalto — e, segundo a PF, da instituição financeira — no Congresso. A permanência do baiano no posto é o recibo passado em praça pública de que o governo não liga para a corrupção, desde que ela tenha a cor e a estrela certas.

O Próximo Alvo no Radar da PF

Mas se Wagner é o constrangimento atual, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, é o pesadelo de amanhã. O clima no Planalto é de contagem regressiva, pois Rui é o próximo alvo natural da Polícia Federal.

O “Trator” baiano conseguiu a proeza de cruzar os caminhos da nebulosa privatização da Ebal com o trágico desvio na compra de respiradores fantasmas durante a pandemia. A mágica contábil que a PF tenta desvendar mostra que parte dos R$ 48 milhões subtraídos da saúde baiana foi estacionar exatamente em um fundo de investimentos da Reag, intrinsecamente ligado à teia do Banco Master. Quem nunca perdeu milhões da saúde pública que foram parar, por mero acaso, no fundo de um amigo do rei? A tempestade está se formando diretamente sobre a mesa da Casa Civil.

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Com a Polícia Federal batendo à porta dos seus caciques e a eleição de outubro fungando no cangote, como o governo reage? Com a velha e conhecida tática de abrir o cofre. Se a realidade dos fatos não ajuda, compra-se uma nova narrativa com o dinheiro do pagador de impostos.

“O político honesto não está dentro de mim.”

— Luiz Inácio Lula da Silva, em um momento de rara precisão analítica sobre si mesmo e seu entorno.

A estratégia de afogar a crise em propaganda oficial, no entanto, foi com tanta sede ao pote que virou alvo de denúncia. A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro bateu às portas do Tribunal de Contas da União (TCU) e da PGR, escancarando que a União ultrapassou o teto de gastos com publicidade institucional em R$ 167,6 milhões. Desse montante, a oposição aponta que cerca de R$ 80 milhões foram injetados para dar tração a pautas com claro viés eleitoreiro.

No fim das contas, a confissão irônica de Lula faz todo o sentido. Manter Wagner, blindar Rui Costa e estourar o orçamento de propaganda para enganar o eleitor às vésperas do pleito são atitudes de um governo que sabe muito bem quem tem — e quem não tem — dentro de si. A fatura do “político honesto” que falta ao Planalto, como sempre, será paga pelo contribuinte.

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