“Nunca distribuímos um CDB do Master”, diz CEO do Itaú sobre crise no FGC
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

“Nunca distribuímos um CDB do Master”, diz CEO do Itaú sobre crise no FGC

Maluhy Filho defende regras iguais para bancos e plataformas e alerta para assimetrias no mercado financeiro

Quanto ao papel do Banco Central na crise do Master, Maluhy destacou a reputação e a autonomia do regulador. Foto: Reprodução/ Itaú.

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Por Redação

O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, comentou nesta quinta-feira (23) os efeitos da liquidação do Banco Master e do Will Bank sobre o sistema financeiro brasileiro.

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Em entrevista ao Estadão/Broadcast durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Maluhy afirmou que o caso representa um evento relevante, mas isolado, e defendeu maior responsabilidade de distribuidores e plataformas de investimento.

“Não vemos como uma crise no sistema financeiro, de forma alguma, embora a dimensão do evento seja de grande materialidade”, disse Maluhy, ao citar o montante envolvido, que soma cerca de R$ 55 bilhões.

O executivo criticou a atuação de plataformas e distribuidores que, segundo ele, obtêm altas comissões oferecendo produtos sem a devida curadoria, enquanto os bancos acabam assumindo o risco em caso de problemas.

“Plataformas podem viabilizar negócio insustentável se estimular a venda na garantia do FGC”, afirmou.

Maluhy reforçou que o Itaú nunca distribuiu CDBs do Banco Master, pois estes não passaram pelos critérios técnicos da instituição.

“Quando vamos distribuir alguém, sempre olhamos para o modelo de negócio, passa por um escrutínio técnico, antes de colocar na prateleira. Não pode distribuir única e exclusivamente porque tem a garantia do fundo”, explicou.

O CEO defendeu mudanças na regulação para que distribuidores compartilhem responsabilidades no arranjo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), garantindo que produtos sejam vendidos de forma sustentável.

“Que os distribuidores passem também a participar do arranjo, de tal sorte que eles têm incentivos para não distribuir o produto errado, no preço errado, e única e exclusivamente porque têm comissões importantes”, disse.

Sobre o cenário de crédito para 2026, Maluhy afirmou que não vê “deterioração profunda” nem risco de bolha na inteligência artificial. Ele ressaltou que alguns setores e carteiras específicas apresentam aumento de inadimplência, mas que o impacto é localizado.

“Já percebemos um aumento da inadimplência, mas são segmentos onde a gente é menos relevante”, disse.

O executivo também comentou sobre a necessidade de conter a dívida pública para atrair investimentos de longo prazo:

“Mais do que atrair o capital de curto prazo, que o Brasil tem capturado na realocação global de carteiras, o que a gente precisa agora é ganhar nos investimentos estruturantes e de longo prazo, trazer o investimento produtivo para o Brasil.”

Quanto ao papel do Banco Central na crise do Master, Maluhy destacou a reputação e a autonomia do regulador:

“Uma das fortalezas do Brasil é um BC forte, com boa reputação e independência. É importante respeitar a autonomia do regulador. O importante é que as instituições funcionem e que os mandatos sejam preservados.”

Ele comentou ainda que os pagamentos do FGC aos investidores do Banco Master começaram a ser realizados nesta semana e espera que o episódio sirva de aprendizado para o mercado.

“Algumas das mudanças que já foram feitas vão inibir novos eventos como o que ocorreu”, concluiu.

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