A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade afirmou na tarde desta segunda-feira (10) que enfrentou uma campanha sistemática de ataques misóginos durante sua gestão. A fala foi feita em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, que também marcou a posse de seu substituto, Alexandre Padilha.
“Não posso esquecer que, durante os 25 meses em que fui ministra, uma campanha sistemática e misógina ocorreu para desvalorizar meu trabalho, minha capacidade e minha idoneidade. Não é possível e não aceito como natural comportamento político dessa natureza”, afirmou Nísia durante discurso.
A agora ex-ministra também comentou sobre a necessidade de mudanças na forma como a política é conduzida no país. “Podemos e devemos construir uma nova política baseada efetivamente no respeito e no diálogo em torno de propostas para melhorar a vida da população”, afirmou.
“Encontrei o Ministério desmontado e desacreditado após a terrível experiência das 700 mil mortos por Covid no governo passado; no nosso trabalho de reconstrução, encontramos mais de 4,5 mil unidades de saúde que aguardavam credenciamento, mais de 4 mil obras paralisadas”, disse Trindade.
A cerimônia de hoje também oficializou a nomeação de Gleisi Hoffmann como ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), cargo antes ocupado por Alexandre Padilha e que cuida da articulação política do governo.
A gestão de Nísia Trindade no Ministério da Saúde foi marcada por crises sanitárias, críticas constantes e pressões do Centrão para ampliar o controle sobre o orçamento. Entre os principais desgastes, destacaram-se a epidemia de dengue, o ritmo lento da vacinação e dificuldades no programa Mais Acesso a Especialistas.
Em 2024, o Brasil registrou 6.041 mortes por dengue, um aumento de 400% em relação a 2023, superando até os óbitos por Covid-19, o que intensificou as críticas à condução da crise.
Outro ponto controverso foi o repasse de R$ 3,6 milhões para Cabo Frio (RJ), onde seu filho é secretário de Cultura, por meio da Portaria nº 3.499, de abril de 2024, o segundo repasse milionário em cinco meses.
Em outra polêmica, o Ministério retirou o limite de 21 semanas e 6 dias para aborto em casos de estupro. Após repercussão, Nísia anulou a orientação, alegando que não foi aprovada por ela.
A mais recente polêmica foi a revelação de que Nísia não seguiu a recomendação da pasta para vacinação contra a Covid-19, ficando mais de seis meses sem atualizar sua imunização.
