O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou que esteja de saída do Partido Liberal, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que houve preocupação com a formação da chapa em Minas Gerais, mas disse que o cenário caminha para um entendimento com a direção da sigla.
“Não está em ponto de ebulição. Estamos alinhando nomes”, declarou.
Nos bastidores, o estopim da tensão foi a possibilidade de filiações de deputados com mandato para disputar vagas à Câmara por Minas. Uma das preocupações envolveu conversas de integrantes do PL com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que está sem partido e avalia candidatura pelo estado. Ao tomar conhecimento das tratativas, Nikolas teria dito a dirigentes: “Ou ele é candidato ou eu”.
Deputado mais votado do país em 2022, Nikolas é visto como puxador de votos em Minas, o que amplia o peso de sua posição nas negociações internas.
A tensão ganhou dimensão pública após o parlamentar afirmar, em entrevista ao podcast Café com Ferri, que poderia deixar o partido caso perdesse influência na montagem da chapa.
“Se eu ver que está sendo feita uma chapa em que eu não tenha controle, decisão e que coloquem nomes completamente desconexos, vou entender isso como um convite para sair (do PL)”, disse.
Sem citar nomes, acrescentou: “Não vou puxar nenhuma pessoa que seja desalinhada com nossos princípios e valores.”
O presidente do PL em Minas, deputado federal Domingos Sávio, confirmou o mal-estar. Em entrevista ao programa Café com Política, afirmou que há insatisfação com a movimentação para filiar parlamentares já em mandato.
Segundo ele, as negociações para filiar a deputada Greyce Elias (Avante-MG) e o deputado Marcelo Freitas (União-MG) estão sendo conduzidas pela direção nacional do partido.
“Ele (Valdemar) disse que a Greyce era um compromisso dele de que, caso quisesse vir para o PL, ela teria um apoio da nacional. E obviamente nós respeitamos o compromisso do presidente”, declarou Sávio.
O dirigente afirmou ainda que levou as reclamações da bancada mineira à executiva nacional e que o tema será tratado novamente após o Carnaval. Segundo ele, a preocupação não é apenas eleitoral, mas também ideológica.
“Tem deputado que o mandato vota com a esquerda ou que não tem muita clareza na defesa dos nossos valores. Nós não queremos por medo dele tomar a vaga, mas é porque nós podemos dar vaga para alguém que não comunga dos nossos princípios”, afirmou.
Nos bastidores, interlocutores próximos a Nikolas avaliam que a entrada de deputados com mandato pode reduzir espaço para nomes já alinhados ao grupo e dificultar projetos de reeleição.
Apesar da tensão, o deputado reafirmou que permanece no PL e que o diálogo com a direção nacional segue em curso.
