Narrativa de conluio Trump-Putin cai com novos documentos e pode ter sido fabricada por Obama - Claudio Dantas
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
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Narrativa de conluio Trump-Putin cai com novos documentos e pode ter sido fabricada por Obama

Vladimir Putin e Donald Trump em encontro de 2019. Foto: Kremlin
Vladimir Putin e Donald Trump em encontro de 2019. Foto: Kremlin

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

A jornalista americana Rachel Maddow, âncora de um programa de TV, passou dois anos insistindo que Donald Trump havia sido eleito graças à interferência da Rússia no ambiente público americano. Longas investigações não encontraram nada, e ela, junto com o resto da imprensa enviesada de esquerda nos EUA, caiu em descrédito.

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Mas ainda há Maddows aqui e ali, inclusive no Brasil, insistindo que o presidente americano, em seu primeiro mandato ou no atual, é um “asset russo”. Essas carpideiras de narrativa são incorrigíveis.

Na sexta passada, a diretora nacional de inteligência Tulsi Gabbard pregou o último prego no caixão da narrativa do Russiagate. Ela — ex-parlamentar democrata do Havaí convertida para a causa MAGA — começou a liberar documentos que sugerem que, no apagar das luzes do segundo mandato do ex-presidente democrata Barack Obama, a inteligência simpática a ele fabricou completamente o conluio Trump-Putin.

O que dizem os documentos

Já em 8 de dezembro de 2016, um briefing preparado por agentes de inteligência para Obama dizia que “adversários estrangeiros não usaram ciberataques contra a infraestrutura eleitoral para alterar o resultado da eleição presidencial dos EUA este ano”.

O documento acrescentava que “não temos evidência de manipulação eletrônica da infraestrutura eleitoral com intenção de alterar os resultados”. Na tarde daquele dia, contudo, o FBI subitamente removeu seu apoio às conclusões.

No dia seguinte, o então diretor nacional de inteligência, James Clapper, se reuniu com o diretor da CIA, John Brennan, além de outros líderes do setor no governo, para interferir na avaliação. O efeito imediato foi um email com o assunto “Grupo de trabalho do Presidente sobre a interferência russa nas eleições”. A mensagem dizia que esses líderes precisavam criar outra “avaliação a pedido do presidente”.

A partir daquele momento, os oficiais de inteligência começaram a “vazar” informações falsas sobre uma inexistente “avaliação secreta” de que a Rússia teria interferido nos resultados das eleições que levaram à primeira vitória de Trump. Os abrigos favoritos para os vazamentos eram os jornais de linha editorial alinhada com os democratas, The New York Times e The Washington Post.

Os esforços de fabricação culminaram em uma Avaliação da Comunidade de Inteligência (ICA) de 6 de janeiro de 2017, um documento de 25 páginas feito às pressas e com conteúdo mais informal que o de costume. A ICA é uma escolha estranha, pois envolve poucas das agências de inteligência. O ideal seria uma Estimativa Nacional de Inteligência (NIE), mais formal. A ICA, que continha ilações sobre as motivações dos russos incluídas pela CIA, se assemelha ao “Dossiê Steele”, que por sua vez alimentou grande parte da narrativa de Maddow.

Essa interpretação dos eventos é auxiliada pela palavra de um delator que trabalhou com Clapper na época. O gabinete de Gabbard está em atividade frenética a respeito das revelações desde o dia 13, segundo o site RealClear Investigations.

A virada de opinião após o pedido de Obama fica evidente considerando que em setembro de 2016, por exemplo, múltiplos agentes de inteligência do DHS (Departamento de Segurança Interna) e do FBI concordavam que a Rússia não tinha capacidade ou intenção de alterar os resultados das eleições por meios digitais. Emails mostram que os agentes do FBI estavam desconfortáveis com a ideia de afirmar o contrário.

Trump reage às novas informações

O presidente reagiu da forma esperada, com muito barulho. Ontem, ele postou um vídeo gerado por inteligência artificial mostrando Barack Obama sendo preso no Salão Oval. É uma distração bem-vinda, diante da pressão de sua própria base a respeito da publicação da lista de clientes de Jeffrey Epstein, uma promessa de campanha não cumprida.

Gabbard não poupa seu conterrâneo havaiano de uma linguagem dura. Em nota à imprensa do dia 18, ela diz que os oficiais de Obama cometeram “uma conspiração traidora em 2016”. “Sua meta era subverter a vontade do povo americano e aplicar o que era essencialmente um longo golpe com duração de anos com o objetivo de tentar usurpar o presidente de cumprir a missão dada a ele pelo povo americano”, disparou a diretora nacional de inteligência.

Se confirmado, o caso é sem precedentes na história americana, pior até que o famoso escândalo Watergate. Coloca Obama no centro da fabricação do Russiagate contra um sucessor no Salão Oval.

O Departamento de Justiça já reage às revelações, anunciando investigações criminais contra o ex-diretor da CIA (Brennan) e o ex-diretor do FBI, James Comey.

Falando ao site Racket News, uma fonte próxima às investigações do departamento disse que elas abrangem o período de 2016 a 2024, ou seja, incluindo também o governo do presidente democrata Joe Biden. Outra fonte do governo Trump disse que ele está avaliando “indícios de que membros de sua campanha de 2024 também foram alvo de espionagem”.

Ou seja, a liberação de documentos está só no começo e as informações ainda não estão completamente digeridas. As revelações poderão levar ao indiciamento do ex-presidente Obama.

Não foi por falta de aviso que a imprensa progressista americana insistiu por anos na mentira. O próprio James Clapper, dois meses após deixar o cargo de diretor de inteligência em 2017, disse em outro programa do canal de Rachel Maddow, MSNBC, que não tinha indício de conluio entre Trump e a Rússia. Perguntado se, apesar da falta de indícios, o conluio aconteceu mesmo assim, ele reforçou a mensagem: “Não que eu saiba”.

Dias depois daquela reunião de dezembro de 2016 (um mês após a vitória de Trump nas eleições), a candidata derrotada do Partido Democrata, Hillary Clinton, estava alegando que as eleições foram “injustas, não livres e ilegítimas” e que “o próprio Vladimir Putin direcionou os ciberataques secretos contra nosso sistema eleitoral, contra anossa democracia, aparentemente porque ele tem um problema pessoal comigo”.

Como os Estados Unidos são um país sério, Hillary Clinton não perdeu seus direitos políticos por fazer essa declaração, nem foi alvo de algum juiz ativista da Suprema Corte em algum julgamento de fachada. Isso só acontece em países como o Brasil.

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