Silveira explica que incidente teve origem em falha técnica; Congresso discute reforma no setor
Após a interrupção no fornecimento de energia registrada na madrugada desta terça-feira (14) em diversas regiões do país, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se com representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para avaliar as causas do incidente.
Segundo o ministro, o problema teve origem em um incêndio em um reator da Subestação de Bateias, no Paraná, o que levou à desconexão temporária entre as regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste.
De acordo com o ONS, a ocorrência, registrada às 0h32, provocou o desligamento controlado de cerca de 10 gigawatts (GW) — medida necessária para evitar uma interrupção de maior escala no Sistema Interligado Nacional (SIN). O fornecimento foi restabelecido de forma gradativa, alcançando 90% da carga em menos de uma hora e totalizando a normalização em todo o país por volta das 2h.
Os estados mais afetados foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, que concentraram a maior parte da redução de carga. Apesar da dimensão do evento, Silveira destacou que o sistema respondeu de acordo com os protocolos previstos e negou qualquer risco de apagão no sentido técnico do termo.
“Não se trata de falta de energia, mas de uma falha pontual na infraestrutura de transmissão. O sistema é robusto e foi capaz de se recompor rapidamente”, afirmou o ministro.
Silveira explicou que a interrupção automática em alguns estados é um procedimento de segurança que evita o colapso total da rede. Segundo ele, o SIN opera com ampla capacidade de geração, o que afasta o risco de racionamento, como o ocorrido em 2001, quando o país enfrentou uma grave crise hídrica.
Durante a reunião com o ONS, técnicos apresentaram a análise preliminar das causas do evento, que embasará o Relatório de Análise de Perturbação (RAP) — documento técnico que identificará os fatores que provocaram a falha e as medidas preventivas a serem adotadas pelas empresas do setor. O relatório deve ser concluído em até 30 dias, com acompanhamento do Ministério de Minas e Energia (MME).
O governo reforçou que a ocorrência não está relacionada à falta de geração, mas sim a um problema técnico isolado na subestação paranaense. Apesar disso, representantes do setor elétrico têm alertado para a necessidade de investimentos estruturais no sistema.
Congresso debate reforma do setor elétrico
Durante reunião da Comissão Mista da Medida Provisória 1304/2025, que trata sobre a reforma do setor elétrico, o senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da proposta, afirmou que o “sistema elétrico brasileiro não aguenta mais remendos” e defendeu um debate mais amplo sobre a eficiência e os custos do setor.
“Nós vivemos uma dicotomia. O Brasil é um país que gera energia barata , mas é um país que cobra uma das tarifas de energia mais caras do mundo”, iniciou o parlamentar.
“Nós não podemos olhar apenas para o nosso umbigo e achar que os nossos interesses estão acima do interesse da sociedade e do consumidor e da economia brasileira”, completou.
Ao final de sua participação, o relator convocou as entidades do setor a participarem ativamente dos debates desta semana.
