Não existe direita com Temer - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Não existe direita com Temer

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Por Claudio Dantas

Michel Temer tem fechado bons negócios para os clientes de seu escritório de advocacia. O último garantiu à Terracom um contrato de R$ 8,7 bilhões para cuidar do lixo em Santos (SP) pelos próximos 30 anos. O ex-presidente tem todo o direito de ganhar seu dinheiro no mercado privado, ou mesmo em questões que envolvam o público e o privado, como o caso citado.

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Mas o emedebista também voltou a articular politicamente. Segundo o Estadão, ele “trabalha para reunir os cinco governadores que já manifestaram ambições presidenciais em torno de um projeto único, que funcione como alternativa à polarização protagonizada por Lula e Bolsonaro”. Num editorial elogioso, intitulado “uma luz à direita”, o jornal diz que a iniciativa é “tão difícil e arriscada quanto necessária”.

“Se avançar, o movimento terá dois méritos especialmente relevantes: de um lado, atender aos clamores de uma parte significativa dos brasileiros que está cansada de Lula e Bolsonaro e dos tempos destrutivos protagonizados por ambos; e, de outro, consolidar o que se espera de uma direita adequada aos novos tempos, democrática, republicana, moderada, qualificada e liberal – tudo o que o bolsonarismo não é.”

É impossível não enxergar na movimentação de Temer a sombra de Alexandre de Moraes, criatura que aparentemente engoliu seu criador. Um movimento previsível para quem acompanha a política e sempre enxergou na estranha deferência do ministro a Lula e à esquerda uma aliança tácita, destinada a vencer o bolsonarismo e a removê-lo da cena política, para depois — não duvidem — fazer o mesmo com o lulopetismo.

Para o Estadão, Bolsonaro já está condenado e preso, é carta fora do baralho.

Tem orelha de terceira via, rabo de terceira via e focinho de terceira via. Em 2022, Temer pautou Baleia Rossi para articular a candidatura de Simone Tebet, reunindo num grupo de Whatsapp os caciques do Cidadania, do União Brasil, do Podemos e do PSDB. Foi um fiasco, como será qualquer nova articulação que não compreenda os novos tempos, que não respeite a democracia e que não preserve os fundamentos da República.

Temer, Moraes e o Estadão insistem numa democracia sem povo, que, no fundo, é simulação de democracia. Assim como o malfadado inquérito das fake news, serve de biombo para proteger velhas elites acostumadas com um sistema de poder que lhe garanta os privilégios de sempre às custas do sangue de milhões de brasileiros, diariamente explorados.

O Supremo vai condenar e prender Bolsonaro, sim. Só não conseguirá convencer o eleitor a votar em seu candidato, seja ele quem for. Muito pelo contrário, pois, hoje, bênção da Corte é maldição aos olhos do eleitor. Tarcísio de Freitas sabe disso, por isso se descola publicamente de articulações avalizadas pelo STF e repete que “não existe direita sem Bolsonaro”. No fundo, o governador sabe que não existe direita com o Supremo.

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