Dirigente cita falta de orçamento e diz que movimento seguirá pressionando o Planalto
A integrante da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Ceres Hadich, afirmou que o movimento não espera a realização de uma grande reforma agrária no terceiro mandato do presidente Lula. Segundo ela, o cenário político e a limitação orçamentária do governo federal dificultam avanços estruturais na política de terras.
O MST, que apoiou Lula nas eleições de 2022, passou a manifestar insatisfação com a condução da agenda agrária desde o início da atual gestão. Em julho, o movimento lançou uma campanha nacional com o questionamento “Lula, cadê a reforma agrária?”.
Em entrevista à jornalista Danielle Brant, da Folha de S.Paulo, Ceres afirmou que o governo tem atuado dentro de restrições financeiras. “O que a gente está vendo o governo fazer dentro das suas possibilidades, não orçamentárias, é regularização fundiária, assentamento de famílias dentro de projetos de assentamento que já existem, regularização e reconhecimento de áreas quilombolas”, disse.
Segundo a dirigente, essas iniciativas “são muito importantes”, mas “fogem a esse enfrentamento direto à demanda pela luta pela terra no Brasil”.
Ceres também afirmou que o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) não dispõe de recursos compatíveis com o que o movimento considera necessário para viabilizar uma reforma agrária mais ampla. Para ela, o orçamento atual não atende às demandas do setor.
A dirigente declarou que, caso Lula seja reeleito em 2026, o MST espera que o tema volte a ganhar centralidade no debate político. Até lá, segundo ela, o movimento manterá a estratégia de pressão sobre o governo federal.
“Mais do que isso, que a gente também aponte no horizonte de um novo governo a possibilidade de ter, de fato, um projeto claro para a realização da reforma agrária no país”, afirmou.
