MPF em SC arquiva caso envolvendo expressão "Lula ladrão" - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

MPF em SC arquiva caso envolvendo expressão “Lula ladrão”

MST afirma não esperar grande reforma agrária no terceiro mandato de Lula e aponta restrições orçamentárias no governo federal

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Por Claudio Dantas

Segundo órgão, investigação configuraria censura em regimes democráticos

O MPF em Santa Catarina arquivou pedido do PT para punir um vereador que havia chamado Lula de ladrão. Na justificativa, o órgão alegou que a representação deveria ter partido do Ministério da Justiça e que “tal investigação corresponderia à censura aos direitos garantias relacionados à liberdade de expressão, pensamento e manifestação do vereador em contexto democrático”.

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A posição da Procuradoria catarinense difere da Procuradoria Geral da República, que abriu investigação contra Nikolas Ferreira pelo mesmo motivo, propondo um acordo pelo qual o deputado federal deveria pagar R$ 10 mil para encerrar a causa – o que foi recusado pelo parlamentar. Só este ano, pelo menos três pessoas, inclusive cidadãos comuns, foram assediados judicialmente por chamar Lula de ladrão.

Em todas as ações, a alegação de Lula e do PT é a mesma: a de que o presidente foi absolvido na Lava Jato. Na verdade, o que houve foi uma reinterpretação por parte do Supremo Tribunal Federal sobre a jurisdição dos casos envolvendo o petista, condenado em três instâncias. A anulação de condenações, como a do caso triplex, difere tecnicamente de um veredito de absolvição, embora Lula tenha se livrado dos processos e recuperado seus direitos políticos.

Em abril, a equipe de segurança presidencial deteve um homem que gritou Lula ladrão durante passagem do petista pelo Rio de Janeiro. Dias depois, uma mulher usou um megafone para gritar Lula ladrão ao passar em frente à sua residência em São Paulo. Ela foi seguida por seguranças até sua casa, autuada e depois virou alvo de um inquérito instaurado a mando de Ricardo Lewandowski, o ministro da Justiça.

Em maio, Lula moveu ação contra o radialista Washington Rodrigues, apresentador da rádio Conquista FM 92,5, do sudoeste da Bahia. O episódio que motivou o processo ocorreu em 2023, quando o comunicador foi indagado num podcast sobre como definiria Lula em apenas uma palavra. Ele respondeu: “Ladrão.”

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