MPF pede cancelamento de outorgas da Jovem Pan
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

MPF pede cancelamento de outorgas da Jovem Pan por desinformação

Paulo Figueiredo na Jovem Pan: MPF pede revogação de ortogas da emissora
Paulo Figueiredo, que na época era comentarista do program Pingo nos Is, é o principal citado na denúncia

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Por Isac Mascarenhas

Paulo Figueiredo, comentarista da emissora na época, é citado 72 vezes no denúncia

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou nesta segunda-feira (15) o cancelamento das outorgas da Jovem Pan, acusando a emissora de promover desinformação antidemocrática ao longo de 2022. O MPF concluiu que a emissora supostamente cometeu abusos graves, veiculando conteúdo que desinformava o público e colocava em risco a democracia do país.

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A Jovem Pan não respondeu aos pedidos de comentário. O pedido do MPF está nas alegações finais de uma ação civil pública, ajuizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em 2023.

Além de solicitar a cassação das outorgas, o MPF pediu a condenação da Jovem Pan a pagar R$ 13,4 milhões por danos morais coletivos. O órgão também exige que a emissora veicule conteúdo informativo sobre a confiabilidade do processo eleitoral e produza relatórios mensais para comprovar o cumprimento das medidas.

A procuradoria sustenta que a Jovem Pan teve um “papel fundamental” na campanha de desinformação em 2022, com o objetivo de desacreditar as instituições e o sistema eleitoral. Segundo o documento, a emissora induziu “uma enorme quantidade de ouvintes” a duvidar da lisura do pleito.

O MPF afirma que a Jovem Pan foi “a principal caixa de ressonância, na esfera pública brasileira, para discursos que pavimentavam as ações golpistas”. Para o órgão, a veiculação sistemática de informações falsas e as incitações à desordem e à intervenção militar foram componentes essenciais para o “clima de insurreição” que os golpistas tentavam instaurar.

Se a tentativa de golpe de Estado tivesse tido sucesso, o MPF declara que a Jovem Pan seria “uma das principais responsáveis” por ter incutido na sociedade uma “narrativa dolosamente construída e disseminada para dar sustentação simbólica a inconstitucionais medidas de exceção”.

A acusação que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) contribui para o pedido de punição à Jovem Pan. A investigação da Polícia Federal (PF) encontrou trocas de mensagens entre militares envolvidos no plano, os quais conversavam sobre contar com a ajuda do então comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo — Hoje ele é o braço direito de Eduardo Bolsonaro nos EUA para a articulação de sanções ao Brasil e autoridades brasileiras.

Em 28 de novembro de 2022, durante a suposta articulação pela ruptura democrática, os militares anteciparam a Figueiredo o conteúdo de um documento que circulava para pressionar o Exército a aderir ao golpe.

Naquela mesma noite, no programa “Pingos nos Is”, Figueiredo expôs os nomes dos comandantes militares que teriam resistido à empreitada golpista. A ideia seria aumentar a pressão pública em cima dos militares

O MPF cita Figueiredo 72 vezes no documento, apontando-o por ter um “papel de destaque nas ilicitudes praticadas pela Jovem Pan”.

Ainda segundo a denúncia, os apelos de comentaristas da Jovem Pan à ruptura institucional, à intervenção militar, à prisão de autoridades e à desobediência a ordens judiciais tornaram-se “recorrentes” e caracterizaram a própria linha editorial da emissora.

A procuradoria cita outros exemplos, como declarações de comentaristas que deslegitimaram o sistema eleitoral sem apresentar provas. Um deles chegou a dizer que a população não deveria acreditar no resultado das eleições caso Bolsonaro não fosse reeleito.

O MPF argumenta que a Constituição e a legislação sobre rádio e TV proíbem as condutas adotadas pela Jovem Pan. O procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto em São Paulo, Yuri Corrêa da Luz, reforça que atos como “incentivar a desobediência” e “veicular notícias falsas com perigo para a ordem pública” são classificados como abusos no Código Brasileiro de Telecomunicações.

Luz afirma que impor medidas severas à Jovem Pan é fundamental para “firmar que condutas como as praticadas pela emissora […] são juridicamente inaceitáveis”. O procurador conclui que isso é essencial para “garantir que a comunicação pública brasileira nunca mais se ponha a serviço de aventuras antidemocráticas”.

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