Moraes: inconsistências sobre armas buscas casa de Bolsonaro
Brasília, Quarta, 08 de julho de 2026
Justiça

Moraes diz que “inconsistências” sobre armas justificaram buscas na casa de Bolsonaro

Ministro do STF afirma que defesa apresentou versões divergentes sobre o paradeiro de armamentos registrados em nome do ex-presidente

Alexandre de Moraes
Foto: Gustavo Moreno/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que as “inconsistências” nas informações apresentadas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o paradeiro de armas registradas em seu nome motivaram a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF) na residência do ex-presidente, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (8).

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Na decisão assinada na terça-feira (7), Moraes afirmou que surgiram divergências entre o número de armas registradas em nome de Bolsonaro e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes, o que, segundo o ministro, indica possível descumprimento da ordem judicial que determinou a apreensão de todo o armamento vinculado ao ex-presidente.

“Sobrevieram aos autos informações indicando divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes”, escreveu o ministro.

Segundo Moraes, a permanência de armas sob posse de Bolsonaro seria incompatível com a decisão anterior.

“A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida.”

A principal inconsistência apontada pelo ministro envolve uma espingarda calibre 12. Após informar inicialmente que as armas estavam sob custódia do Batalhão de Polícia do Exército, a defesa comunicou ao STF que o armamento permaneceu desde a aquisição em uma empresa importadora de artigos bélicos, em Caxias do Sul (RS), porque nunca teria sido retirado do estabelecimento.

Para o magistrado, porém, a explicação não foi acompanhada de documentos que comprovassem a localização da arma ou a regularidade de sua custódia.

“A versão apresentada diverge dos dados constantes dos registros existentes e não foi acompanhada de documentação idônea capaz de comprovar a efetiva localização do armamento”, afirmou.

Diante das divergências, o ministro concluiu que a busca domiciliar era necessária para garantir o cumprimento da decisão judicial.

“A discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas posteriormente apresentadas pela Defesa torna imprescindível a adoção de busca e apreensão domiciliar.”

Na última sexta-feira (3), ao manter Bolsonaro em prisão domiciliar, Moraes determinou a apreensão de todas as armas registradas em nome do ex-presidente e revogou seus certificados de posse. Inicialmente, a defesa informou que oito armas estavam acauteladas no Batalhão de Polícia do Exército. Posteriormente, o Exército informou que duas delas não estavam na unidade, levando os advogados a apresentar uma nova explicação sobre o paradeiro dos armamentos.

A operação da Polícia Federal foi realizada na residência de Bolsonaro, no Jardim Botânico, em Brasília, com o objetivo de localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro. Segundo informações divulgadas após a diligência, nenhum novo armamento foi encontrado.

Após a operação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a defesa já havia prestado todas as informações solicitadas pelo STF e criticou a decisão de Moraes. O parlamentar também disse que a ação representou uma “clara tentativa de criar cortina de fumaça” durante sua viagem aos Estados Unidos.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade