O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido da defesa do ex-deputado federal Daniel Silveira para ser beneficiado pelo indulto natalino concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de 2024.
Os advogados de Silveira apresentaram 12 pedidos argumentando que ele se enquadra nos critérios do decreto presidencial. Segundo a defesa, no dia da publicação do indulto, em 23 de dezembro, Silveira estava em “livramento condicional” e a menos de seis anos de cumprir integralmente sua pena, condições previstas no decreto como elegíveis ao perdão.
Entretanto, o indulto de Lula exclui condenados por crimes considerados ataques à democracia e abuso de autoridade. Silveira foi preso por declarações contra ministros do STF.
A trajetória do ex-deputado no sistema penal tem sido marcada por diversas decisões judiciais. Inicialmente preso em fevereiro de 2021, ele chegou a obter liberdade condicional em 20 de dezembro de 2024, sob medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, restrições ao uso de redes sociais e recolhimento domiciliar noturno. No entanto, três dias depois, foi preso novamente por violar essas regras.
A defesa sustenta que Silveira não descumpriu as medidas intencionalmente e que sua saída do domicílio ocorreu por necessidade médica. No entanto, a Polícia Federal constatou que ele fez paradas em outro condomínio durante o deslocamento para o hospital, prolongando o trajeto além do tempo necessário.
Além disso, Moraes apontou que Silveira descumpriu medidas cautelares 227 vezes ao longo do processo que resultou em sua condenação. O ex-deputado foi ouvido por um juiz auxiliar do STF na terça-feira (4), com a presença de procuradores da PGR. Agora, caberá à Procuradoria se manifestar sobre o pedido de indulto antes de uma nova decisão do ministro.
